Ave do Cerrado é registrada pela primeira vez em quase um século

Foto: Marcelo Kuhlmann

Subespécie de saíra-de-cabeça-azul foi encontrada na Chapada dos Veadeiros. A variedade rara só ocorre no Brasil.

Uma moradora enigmática da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, foi recentemente encontrada por pesquisadores após passar quase 100 anos desaparecida. Trata-se de uma subespécie rara de saíra-de-cabeça-azul (Stilpnia cyanicollis albotibialis), que só era conhecida por único indivíduo coletado em Alto Paraíso de Goiás, em 1929.

O flagra aconteceu durante expedição, em dezembro do ano passado, à Chapada dos Veadeiros. O naturalista Estevão Santos e o biólogo Marcelo Kuhlmann encontraram a ave alimentando-se de frutos da pixirica, árvore típica da região, no mesmo local em que o naturalista José Blaser coletou a espécie pela primeira vez.

Estevão e Marcelo viajaram até o local para observar a interação entre a fauna e a flora da região no início do período chuvoso, época em que as árvores frutificam, atraindo inúmeras espécies de aves. Estevão conta que imaginava encontrar muitos pássaros aproveitando os frutos, mas não a raríssima Stilpnia cyanicollis albotibialis.

“Decidimos então explorar a mata e nas primeiras duas horas de caminhada nos deparamos com a saíra-de-cabeça-azul, na beira do rio São Miguel, comendo os frutos de uma pixirica (Miconia minutiflora), espécie de árvore muito comum no Cerrado. Foi um encontro casual e fortuito”, contou Estevão.

A espécie

A Stilpinia cyanicollis albotibialis é uma das sete subespécies de saíra-de-cabeça-azul. As saíras habitam a Amazônia e o Cerrado e apenas duas são encontradas no Brasil. A variedade restrita à Chapada dos Veadeiros difere de todas as outras por ter a tíbia e as coxas brancas, ao invés de negras.

A saíra-de-cabeça-azul é uma ave com pelagem predominantemente preta e cabeça azulada. Mede cerca de 12 centímetros de comprimento e pesa aproximadamente 14 gramas. Alimenta-se principalmente de frutos e vive em habitats abertos, como capoeiras, cerrados, jardins com árvores e áreas cultivadas.

Em artigo publicado no periódico científico Bulletin of the British Ornithologists Club (BBOC), Estevão Santos e Marcelo Kuhlmann ressaltaram que a redescoberta da subespécie serve para mostrar a biodiversidade do Cerrado. “Descobertas e artigos como esses também têm o papel de destacar a importância da conservação e mostrar que, em ambientes conservados, vivem espécies raras, ou até mesmo desconhecidas”, explicou Marcelo.

“O Cerrado está no centro do Brasil e recebe influência de quase todos os biomas, por isso tanta diversidade. O bioma não é homogêneo, cada região tem uma fauna e flora específica e tudo isso agrega ainda mais valor pra gente continuar pesquisando e explorando cada canto deste País”, completou o biólogo.

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