Governo de Minas reduz contratação de brigadistas temporários

Crédito: ASCOM Meio Ambiente/Divulgação

Para a Amda, o Estado está regredindo na proteção da fauna, flora e água.

Em 2020, mais de 42 mil hectares de vegetação foram queimados dentro e no entorno das unidades de conservação estaduais, segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF). Mesmo assim, o número de brigadistas temporários contratadospelo estado foi menor em 2021. No final de junho, o IEF publicou edital para contratação de 252 brigadistas por um período de 100 dias. No ano passado, 265 vagas foram disponibilizadas. Em 2019, esse número chegou a 278.

A Amda pesquisou as verbas anuais do PrevIncêndio dos últimos anos e verificou uma redução drástica. Em 2015, a verba foi de R$ 23,38 milhões. No ano seguinte, R$ 20,03 milhões, valor similar ao de 2017. Em 2018, o orçamento previsto foi de R$ 15.799.515,33. Para 2019, o valor aprovado foi de R$ 13.454.499,00.

Em 2018, por exemplo, a previsão era contratar 340 profissionais, mas a verba liberada pelo governo foi similar à de 2017, impedindo cobrir aumentos automáticos como o do salário mínimo. Por isso, foram contratados 253 brigadistas, 35 a menos que em 2017, quando foram contratados 288 profissionais; e 54 a menos que em 2016, que contou com 307.

Neste ano, duas Ucs (Parque Estadual Serra do Ouro Branco e o Monumento Natural Estadual de Itatiaia) contarão com apenas três brigadistas temporários. Outras 15 unidades terão apenas quatro, como é o caso do Monumento Natural Gruta Rei do Mato, Floresta Estadual do Uaimii, Parques Estaduais do Sumidouro, Ibitipoca, Itacolomi, Serra Verde (que teve 100% de sua área queimada há cerca de um mês), Serra do Intendente, Botumirim, Mata do Limoeiro, entre outras. As informações constam no Anexo II do edital de contratação.

Outro fator que ameaça as UCs é a não construção ou manutenção de aceiros (faixas de terra nas quais a vegetação é retirada para evitar propagação do fogo) em diversas UCs.

Para a superintendente da Amda, Dalce Ricas, o Estado está regredindo na proteção da biodiversidade e da água: “o percentual de áreas legalmente protegidas é muito aquém do necessário; o governo não cria novas unidades de conservação e não cuida das existentes, que estão sendo degradadas pelo fogo, por invasões e caças. Viramos um “estado caranguejo”, ironiza.

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