Microplásticos são encontrados em pulmão humano

Crédito: Oregon State University [CC BY-SA 2.0]

Polietileno e polipropileno, os principais componentes de embalagens e produtos de uso único, foram os polímeros mais frequentes nas amostras. 

Pesquisadores do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) conseguiram, pela primeira vez, identificar microplásticos no tecido pulmonar humano. A descoberta, publicada no Journal of Hazardous Materials, alerta para o nível de exposição humana às minúsculas partículas de plástico transportados pelo ar.

“Somos o primeiro grupo no mundo a obter e publicar essas conclusões”, afirmou o engenheiro ambiental e líder do estudo, Luís Fernando Amato Lourenço. O pesquisador e sua equipe quantificaram e caracterizaram os fragmentos utilizando, também pela primeira vez, espectroscopia Raman. A técnica fotônica de alta resolução permite obter informações químicas e estruturais de quase qualquer material em poucos segundos.

Dos 20 tecidos pulmonares analisados por autópsia, 13 continham fragmentos de plástico. Entre as partículas encontradas, algumas eram menores do que 5,5 µm (mícrons ou micra, o equivalente a um milésimo de milímetro) e outras variavam de 8,12 a 16,8 µm. Os polímeros mais frequentes nas amostras foram o polietileno e o polipropileno.

O polietileno é utilizado na fabricação de embalagens, brinquedos, copos descartáveis, cadeiras de plástico, seringas de injeção, tampas de refrigerantes e eletrodomésticos, enquanto o polietileno compõe sacolas, fraldas, plástico filme e uma infinidade de materiais.

Esses objetos, ao serem descartados no ambiente, se fragmentam em minúsculas partículas, dando origem aos microplásticos. Pela espessura ultrafina, eles escorrem facilmente pelos ralos e acabam nos mares e cursos d’água, impactando diretamente os ecossistemas marinhos.

A nova pesquisa mostra que os microplásticos podem ser até inalados, devido à capacidade que possuem de se agregar a outros poluentes atmosféricos, vírus e bactérias, por isso foram encontrados no pulmão humano.

“O tema sobre microplásticos e saúde humana ainda é extremamente recente. Com os resultados, evidenciando que diferentes tipos de microplásticos chegam até o sistema respiratório humano, os estudiosos sobre o assunto poderão trabalhar em elucidar quais são os potenciais efeitos adversos desses compostos na saúde. Esse é justamente o próximo passo da nossa pesquisa na FMUSP”, destacou Luís Fernando.

 

Fique por dentro:

Fundo dos oceanos abriga mais de 14 milhões de toneladas de microplásticos

Microplásticos liberados durante lavagem de roupas estão até em geleiras polares

 

Rua Antares, 100, Santa Lúcia
Belo Horizonte / MG CEP: 30360-110
Telefone: (31) 3291 0661

Assine e receba as novidades e notícias sobre nossas ações, eventos e meio ambiente