Mapeamento identifica mais de 5 mil famílias em territórios tradicionais no Cerrado

Crédito: Acervo ISPN/Peter Caton

Soma dos territórios mapeados chega a 290 mil hectares. Projeto quer dar visibilidade a atores que promovem conservação do Cerrado e outros biomas.  

Mais de cinco mil famílias de comunidades tradicionais e de pequenos agricultores de fora dos mapas oficiais do Brasil tiveram suas terras mapeados pelo aplicativo “Tô no Mapa”. A iniciativa permitiu o mapeamento de territórios de pescadores artesanais, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas e quebradeiras de coco-babaçu.

O app é um desdobramento do projeto “Mapeamento de Comunidades Invisibilizadas no Cerrado”, financiado pelo Critical Ecosystem Partnership Fund (CEPF) e executado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) junto ao Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), com apoio da Rede Cerrado.

Dados do IPAM e do ISPN, produzidos por meio de um levantamento em parte do Cerrado, mostram que existem 3,5 vezes mais comunidades tradicionais no bioma do que realmente foi computado por órgãos governamentais responsáveis. A lacuna torna o “Tô no Mapa” uma ferramenta essencial para retratar a realidade dessas populações.

No aplicativo, é possível inserir as características e locais de uso do solo, bem como focos de conflito. A proposta é construir um mapa com informações sobre as comunidades e povos tradicionais e rurais de todo o Brasil. Até agora, 53 comunidades de 23 estados brasileiros se cadastraram no aplicativo. A soma dos territórios mapeados chega a 290 mil hectares.

Conheça o Tô no Mapa:

 

Mais visibilidade e proteção ambiental

O não reconhecimento dos territórios tradicionais e a falta de regularização contribui para que os povos e comunidades tradicionais fiquem desprotegidos diante das ameaças. O automapeamento é o primeiro passo para que as comunidades passem, de alguma forma, a ser consideradas na elaboração de políticas públicas e de ações protetivas.

Grande parte dos registros relata problemas de disputa e invasão territorial, representando 53% dos conflitos informados. Logo após vem: contaminação por agrotóxicos (17%), conflito por água (6%) e queimadas não controladas (4%).

“O mapeamento pretende dar visibilidade a uma série de atores que são fundamentais para a conservação do Cerrado e dos demais biomas”, explica a pesquisadora e coordenadora de projetos do IPAM, Isabel Castro. Atualmente, as comunidades tradicionais enfrentam inúmeras ameaças, o que também coloca em risco áreas de grande biodiversidade onde estão inseridas.

De acordo com o levantamento, produção agroecológica, roça e criação de pequenos animais definem as atividades de 70% das famílias que se cadastraram no aplicativo. Muitas vezes, com o uso comum do solo, povos e comunidades tradicionais adotam práticas sustentáveis para a conservação de nascentes e da biodiversidade da fauna e da flora ao redor.

 

 Faça aqui o download do aplicativo.

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