Amazônia fecha mês de junho com alta de desmatamento e queimadas

Fogo na Comunidade São Bernardo na região da Transacreana, em Rio Branco. Crédito: Katie Maehler/ Mídia NINJA [CC-BY-NC]

Número de queimadas foi o maior desde 2007 e área sob alerta de desamamento chegou a 3.325 mil km².

Com aumento de queimadas e desmatamento, a Amazônia fechou o mês de junho em estado de alerta. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 2.308 focos de calor foram registrados no bioma no mês passado – maior número para o mês desde 2007 –, enquanto a área sob alerta de desmatamento no primeiro semestre de 2021 foi a maior em seis anos.

Entre 1º de janeiro e 25 de junho, 3.325 quilômetros quadrados (km²) estiveram sob alerta de desmatamento na Amazônia na Legal, indicaram dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, que emite sinais diários de alteração na cobertura florestal.

Mesmo faltando cinco dias para finalizar o semestre, o índice já supera a contagem dos anos anteriores. Em comparação a 2020, a área sob alerta nos seis primeiros meses deste ano chega a ser 8% maior. Mais de um terço da destruição está no estado do Pará, que abrange 1.251,96 km² da área sob alerta de desmatamento.

“Como ainda faltam cinco dias para fechar o monitoramento de junho, esse número ainda pode crescer”, explica a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar. “Mas é preocupante. Temos um ano com tendência de seca principalmente na parte sul da Amazônia, e ainda muita área desmatada desde 2019 que ainda não queimou. ”

Maior risco de incêndios

Especialistas chamam a atenção para os efeitos da estação seca na Amazônia em 2021. Uma análise feita por pesquisadores do Woodwell Climate Research Center e IPAM, mostra que a soma de áreas desmatadas e ainda não queimadas desde 2019 mais uma seca intensa provocada pelo fenômeno La Niña exigem atenção especial neste ano.

Há quase 5 mil km² de área, quase quatro vezes o município de São Paulo, com vegetação derrubada e seca esperando o fogo. As queimadas são utilizadas para “limpar” terrenos desmatados, a fim de consolidar a ocupação ou conversão em pastagens e plantações. Por isso, logo após o desmate, vem o fogo.

Entre maio e junho, o Inpe já computou crescimento de 98% no número de focos de calor. Em relação a junho do ano passado, o aumento foi de 2,7%. Na semana passada, o governo publicou uma nova moratória de fogo em todo o país. Mesma atitude tomada no ano passado, mas com zero efeito prático: houve 15% mais focos na Amazônia em 2020 do que em 2019, segundo dados do INPE.

“Se não há atuação forte de controle do desmatamento e do fósforo em campo, a tendência é que a moratória fique no papel”, alertou o pesquisador sênior do IPAM Paulo Moutinho. Para ele, “é preciso combater a queimada em toda a Amazônia, assim como o desmatamento, que é a origem de um terço do fogo que vimos nos últimos dois anos na região”.

 

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