Áreas verdes podem melhorar saúde da população no Quadrilátero Ferrífero, indica pesquisa

Parque Nacional da Serra do Gandarela, no Quadrilátero Ferrífero. Crédito: Paulo Baptista

Na região, florestas urbanas reduzem 206,7 internações de crianças (0-14 anos) do gênero feminino anualmente, economizando R$ 230.814,21 por ano ao SUS.

O Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, é uma das regiões mais importantes para a biodiversidade brasileira. Embora mais da metade de seu território seja tomado pela ocupação e atividades humanas, ainda resta 45% de sua vegetação nativa. Segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aumentar a cobertura verde na região pode trazer ganhos ambientais, econômicos e para a saúde pública.

A pesquisa, conduzida pelo biólogo Matteus Carvalho Ferreira, analisou os impactos das alterações na paisagem gerados pela urbanização e mineração na saúde mental e respiratória em 22 municípios do Quadrilátero Ferrífero, onde vivem mais de 1 milhão de pessoas. Entre as cidades estudadas estão Brumadinho, Ibirité, Mariana, Ouro Preto, Sabará, Congonhas, entre outras.

Os resultados indicam que o aumento da arborização e a criação de parques urbanos, pode melhorar a qualidade do ar pela retenção de materiais particulados, gerando melhorias à saúde respiratória da população e consequente economia na saúde pública.

O biólogo observou que até a taxa de internação de meninas de 0 a 14 anos, por doenças respiratórias, foi menor em municípios com maior área de floresta urbana per capita. Cada 9,1 hectares de florestas urbanas, significa uma internação de meninas jovens a menos por ano, gerando R$ 1.116 de economia direta para o SUS anualmente.

“Considerando toda a área de florestas urbanas dos municípios avaliados (1878,9 hectares) e o custo médio de internação, obtemos que os serviços ecossistêmicos das florestas urbanas dos 22 municípios do Quadrilátero Ferrífero para a saúde respiratória são: redução anual de 206,7 internações de crianças (0-14 anos) do gênero feminino, economizando R$ 230.814,21 anualmente ao SUS somente com gastos diretos das internações”, indicou o levantamento.

Falta de investimentos

A pesquisa destaca que ambientes naturais fornecem diferentes serviços ecossistêmicos para a sociedade, como alimentos, água, qualidade do ar, até sensação de bem-estar e redução de doenças. Mesmo assim, os investimentos na proteção dessas áreas só diminuem a cada ano, conforme mostra avaliação sobre a aplicação de recursos do governo federal, de 2008 a 2019, nas 18 unidades de conservação mineiras federais.

Em apenas um ano, houve redução de 73% no orçamento total destinado às unidades, de quase R$ 15 milhões, em 2018, para cerca de R$ 4 milhões, em 2019. De acordo com o levantamento, este é o maior corte orçamentário da história do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“É inaceitável que um dos maiores ativos brasileiros tenha sido tratado historicamente como algo supérfluo. A alocação de recursos para setores que geram resultados socioeconômicos positivos, direta e indiretamente (como as UCs) deve ser uma obrigação de qualquer governo, independentemente de sua ideologia política. Se não houver uma mudança urgente de paradigma para considerar as questões ambientais como fundamentais para as pessoas, não seremos capazes de alcançar um desenvolvimento sustentável”, destacou Matteus Carvalho, em sua dissertação.

Rua Antares, 100, Santa Lúcia
Belo Horizonte / MG CEP: 30360-110
Telefone: (31) 3291 0661

Assine e receba as novidades e notícias sobre nossas ações, eventos e meio ambiente