Primeiro nascimento de ararinha-azul é registrado em 30 anos

Ave é endêmica da caatinga./Crédito: ACTP

Ave foi extinta da natureza devido à caça furtiva e destruição da Caatinga, seu bioma de origem.

Extintas na natureza há 20 anos, as ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) chegaram ao Brasil no ano passado para serem devolvidas ao seu habitat natural: a caatinga. Mais de 50 indivíduos desembarcaram em Curaçá, na Bahia, onde foi construído um centro de reintrodução e reprodução para a ave. Um ano depois do retorno ao Brasil, pesquisadores comemoram o nascimento dos primeiros dois filhotes da espécie.

Há 30 anos nenhuma ararinha-azul nascia em solo brasileiro. Embora o primeiro filhote não tenha sobrevivido, por inexperiência dos pais, o segundo está sendo alimentado e assistido pela equipe responsável pelo monitoramento da ave. A expectativa é que, em breve, os animais possam ser soltos na natureza.

“Não há garantias, só temos que fazer o nosso melhor para ensiná-las tudo o que pudermos, tornando-as o mais selvagem possível e dar-lhes todas as ferramentas para terem a melhor chance de sucesso. Se tudo correr bem, poderemos ter a primeira soltura no ano que vem”, disse o pesquisador Cromwell Purchase, da Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), ao G1.

Junto do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a ONG alemã atua no projeto de reintrodução das ararinhas no Brasil.

Desaparecimento à reintrodução

A ave, que ganhou fama com a animação “Rio”, teve suas populações arrasadas pela caça furtiva e a destruição de seu habitat. O último indivíduo livre foi visto nos anos 2000, mas os esforços para conservação da espécie só tomaram forma em 2012, com a criação do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-Azul.

Nos primeiros anos, o objetivo principal era aumentar sua população em cativeiro, até que uma instituição do Catar conseguiu reproduzir o animal artificialmente. Mais tarde, a entidade asiática fechou as portas e confiou as ararinhas à ACTP.

Em 2017, já haviam 150 indivíduos em cativeiro, o que possibilitou a execução da segunda fase do projeto, a reintrodução da ararinha. Hoje, há mais de 180 exemplares em cativeiro, segundo dados do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). Apesar dos riscos, envolvendo a adaptação da espécie à nova morada, os pesquisadores estão confiantes.

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