Expansão urbana ameaça sobrevivência de aves em BH

Gralha-do-campo é uma das espécies endêmicas do Cerrado que ocorre na Mata do Isidoro. Crédito: Willian Moura/Flickr

Na Mata do Isidoro, a área urbana cresceu quase 200%, ameaçando mais de 100 espécies de aves.

A conversão de florestas em áreas urbanas tem sido uma das principais ameaças às aves endêmicas que vivem nas áreas florestais que restaram nas grandes cidades. Na capital mineira, o cuitelão (Jacamaralcyon tridactyla) luta para sobreviver junto de outras 125 espécies de pássaros na Mata do Isidoro, último remanescente desprotegido de vegetação natural da zona periurbana de Belo Horizonte.

Em estudo inédito, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) analisaram os impactos do crescimento urbano desordenado sobre as populações de pássaros que vivem na Mata do Isidoro, na região Norte de BH. Composta por um mosaico de floresta e campos naturais, a área possui alta diversidade de aves, abrigando espécies que só ocorrem nos biomas Mata Atlântica e Cerrado.

O cuitelão, endêmico da Mata Atlântica, é uma das espécies raras e ameaçadas de extinção que vivem na mata que ocupa 20% do território da cidade. Saíra-ferrugem (Hemithraupis ruficapilla), tangarazinho (Ilicura militaris), papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera) são outras aves endêmicas da Mata Atlâtica que habitam a mata, além do soldadinho (Antilophia galeata) e gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus), exclusivas do Cerrado.

De acordo com o estudo, desde 2012, a região está ocupada irregularmente por milhares de famílias devido ao déficit habitacional na cidade, colecionando conflitos socioambientais. Embora considerada área de preservação pelos dois últimos planos diretores de Belo Horizonte, a vegetação nativa continua desaparecendo.

Em apenas seis anos, entre 2012 e 2018, a área urbana dentro da Mata do Isidoro cresceu quase 200%. Como resultado, a área perdeu mais de 20% de seus campos naturais, que é o habitat preferido para mais de 65% das espécies de aves registradas no local.

“A maior parte da expansão urbana ocorreu na parte norte da Floresta do Isidoro, onde também causou a perda e degradação de prados e, provavelmente, cursos d'água da região”, indicou o estudo. O fato preocupa, considerando a relevância hídrica da mata, que possui 280 nascentes, que dão origem a 64 córregos, incluindo o Córrego dos Macacos, considerado o ultimo curso d’água limpo de Belo Horizonte.

O principal autor da pesquisa, Tulaci Bhakti, doutorando da UFMG, defendeu a criação de uma legislação mais rigorosa para o Cerrado, como a Lei da Mata Atlântica. “Muitas vezes, por falta de conhecimento, as pessoas olham para essas áreas de cerrado como um lugar vazio esperando para ser ocupado. Planejam a retirada da vegetação nativa para construir alguma edificação e a posterior compensação com o plantio de grama ou alguma espécie frutífera”, declarou.

 

Com informações de UFMG

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