Mata Atlântica possui quase duas mil espécies ameaçadas de extinção

Mutum-do-nordeste era originalmente encontrado na Mata Atlântica, mas foi extinto da natureza. Crédito: Crax-Brasil/Divulgação

Bioma detém o maior número de plantas e animais ameaçados e a maioria das espécies extintas do Brasil, revelou IBGE.

Em 2014, já havia 3.299 espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção no Brasil, revelou levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que avaliou mais de 16 mil táxons da fauna e flora. O bioma Mata Atlântica liderou o ranking de espécies ameaçadas, tanto em números absolutos (1.989), como proporcionalmente (25%).

Considerando que, atualmente, são reconhecidas 49.168 variedades de plantas e 117.096 de animais, os números devem ser muito maiores. Do total reconhecido até hoje, a pesquisa avaliou apenas 4.617 (11%) espécies da flora e 12.262 (10%) da fauna, para as quais existem informações sobre o estado de conservação.

Os dados fazem parte da pesquisa “Contas de Ecossistemas: Espécies Ameaçadas de Extinção no Brasil”. O estudo analisou as listas de espécies nacionais oficiais de 2014 e as avaliações sobre a sua conservação, publicadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Centro Nacional de Conservação da Flora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Ao compilar os dados das listas oficiais, o IBGE indicou o percentual de espécies inclusas em cada status de ameaça. Cerca de 4,73% estão na categoria vermelha, criticamente em perigo; 9,35% estão em perigo; e 5,74% são classificadas como vulneráveis.

Aproximadamente 13% foram classificadas como dados insuficientes, o que significa que não há informações necessárias para saber o real estado de conservação das espécies. Fora das categorias de perigo, 3,98% estão quase ameaçadas de extinção e 62,82% são consideradas menos preocupantes.

Menos de 1% estão totalmente extintas ou extintas da natureza, quando os únicos exemplares que se têm notícia estão em cativeiro ou fora de sua área de ocorrência original. Este é o caso do mutum-do-nordeste, que originalmente era encontrado na Mata Atlântica, mas foi extinto de seu habitat e agora depende de programas de reprodução em cativeiro.

Entre as espécies extintas, estão seis aves: maçarico-esquimó, gritador-do-nordeste, limpa-folha-do-nordeste, peito-vermelho-grande, arara-azul-pequena e caburé-de-pernambuco; um anfíbio, perereca-verde-de-fímbria; um mamífero, rato-de-noronha; e os dois peixes marinhos, tubarão-dente-de-agulha e tubarão-lagarto.

Ameaça por biomas

Com 1.989 espécies em vias de extinção, o que corresponde a 25% de toda a fauna e flora do bioma, a Mata Atlântica possui o maior número de táxons ameaçados e a maioria das espécies extintas (6). O bioma é considerado um dos mais biodiversos e ameaçados do mundo. Hoje restam apenas 12% de sua cobertura original.

Além de muitas espécies em risco, a Mata Atlântica possui mais de 10% categorizadas como dados insuficientes. Segundo o IBGE, essa é a segunda maior proporção entre os recortes ecológicos analisados, ficando atrás apenas do Mar e ilhas Oceânicas.

Em segundo lugar no ranking de ameaça está o Cerrado, com 1.061 espécies ameaçadas, o mesmo que 19,7% das espécies do bioma. Mais de 200 espécies estão criticamente em perigo e 202 são consideradas quase ameaçadas de extinção no bioma.

Logo depois, vem e a Caatinga, com 366 espécies em risco, que correspondem a 18,2% dos animais e plantas do bioma. Na quarta colocação está o Pampa, que possui 194 espécies ameaçadas, representando 14,5% de seus táxons. O Pantanal e a Amazônia ficaram menor número de espécies ameaçadas: 54 e 278, respectivamente.

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