Restaurar ecossistemas pode salvar 71% das espécies e absorver CO2 emitido nos últimos 200 anos

Amazônia é um das zonas prioritárias para restauração, de acordo com o estudo.

Recuperação de áreas prioritárias salvaria milhares de animais e sequestraria mais de 465 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, revelou estudo. 

O que é preciso para salvar os animais ameaçados de extinção? Um grupo de pesquisadores do Brasil e mais 11 países acredita que a restauração de alguns ecossistemas pode salvar 71% das espécies em perigo e ainda absorver quase metade de todo o carbono acumulado na atmosfera nos últimos dois séculos.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature, em outubro, identificou as áreas prioritárias para restauração em todos os biomas terrestres do mundo. Foram identificados mais de 29 milhões de quilômetros quadrados de áreas, cuja restauração pode beneficiar a biodiversidade e o clima, sem grandes custos e impactos à produção de alimentos.

Estima-se, que a recuperação de 30% dessas áreas e conservação de ecossistemas que ainda estão em seu estado natural, salvaria milhares de espécies terrestres, entre mamíferos, anfíbios e pássaros, além de absorver mais de 465 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), emitidas desde a Revolução Industrial. Os dados apontam que a restauração pode ser 13 vezes mais eficaz quando realizada em áreas prioritárias.

“Fomentar os planos de restauração de ecossistemas para seu estado natural é fundamental para evitar que as presentes crises climáticas e as ameaças à biodiversidade saiam do controle”, afirmou o pesquisador brasileiro e diretor executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS), Bernardo Strassburg.

O relatório, produzido por Bernardo e mais 26 cientistas, deve fundamentar as discussões na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que acontecerá na China, em 2021. A expectativa é que um tratado mundial de proteção à natureza seja assinado no encontro.

Restauração x produção agrícola

Em todo o mundo, 2,87 bilhões de hectares de ecossistemas, entre florestas (54%), pastagens (25%), estepes (14%), zonas áridas (4%) e pântanos (2%), foram convertidos em cultivos agrícolas. A estimativa é que apenas os alimentos de origem animal ocupem 83% das áreas agrícolas do planeta. 

No entanto, a pesquisa mostra que é possível conciliar a produção de alimentos com a preservação ambiental. Cerca de 55% dos ecossistemas convertidos em plantações e pastagens podem ser restaurados, sem prejudicar a atividade agropecuária, explicaram os pesquisadores.

Para que isso seja possível, é preciso adotar práticas agrícolas mais sustentáveis, reduzindo o desperdício e diminuindo a produção de carne e laticínios, alimentos que exigem grandes áreas para produção e emitem grande quantidade de gases de efeito estufa GEEs.

"Resolvendo a subutilização, a subprodutividade das áreas de pastagem, e usando melhor o que já foi desmatado, é possível conciliar a produção com a conservação. Podemos chegar ao desmatamento zero no mundo todo, com a restauração de até 55% das áreas já convertidas, sem impactar a produção de alimentos", disse Strassburg ao Estadão.

Áreas prioritárias para conservação

Ao mapear as áreas prioritárias, os cientistas analisaram o custo de restauração de cada bioma e os benefícios para o clima e biodiversidade. Países tropicais, como o Brasil, têm o maior potencial de restauração. No país, os biomas Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado concentram o maior percentual de zonas prioritárias.

De acordo com a pesquisa, a restauração de florestas e pântanos proporciona mais benefícios para o clima e a biodiversidade, enquanto a recuperação de zonas áridas é mais vantajosa financeiramente. O importante é que seja feita a restauração de diferentes tipos de ecossistemas, para que o custo-benefício seja ainda melhor.

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