Adoção de dietas à base de vegetais ajuda a mitigar emissões de CO2

Produção de alimentos é responsável por 37% de todas as emissões de gases de efeito estufa.

Diminuir o consumo de alimentos de origem animal e adotar dietas à base de vegetais é fundamental para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, principal causador do aquecimento global. A constatação é de estudo publicado na revista Nature Sustainability.

Hoje, a produção global de alimentos é uma das maiores pressões humana sobre Terra, detendo aproximadamente 37% de todas as emissões de gases de efeito estufa. Apenas os alimentos de origem animal ocupam 83% das áreas agrícolas do planeta.

O estudo, que mapeou o impacto da indústria alimentícia, estima que mudanças para dietas baseadas em plantas permitiria o sequestro de 99% a 163% das emissões de CO2 até 2050, aumentando as chances de limitar o aquecimento da Terra da 1,5°C, como determina o Acordo de Paris.

O professor do Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Nova Iorque e principal autor do artigo, Matthew Hayek, sugere escolhas alimentares mais saudáveis e dietas mais sustentáveis. Assim, “a restauração de florestas nativas poderia ganhar o tempo necessário para os países fazerem a transição de suas redes de energia para uma infraestrutura renovável e livre de fósseis”, disse.

De acordo com a pesquisa, a queda da demanda por carne provocaria recrescimento da vegetação e consequente remoção de até 16 anos das emissões globais de CO2 dos combustíveis fósseis. “O uso da terra tem tudo a ver com compensações”, acrescentou Nathan Mueller, também autor da pesquisa.

Embora os desafios para restaurar os ecossistemas sejam imensos, "nossas descobertas podem ajudar a visar lugares onde a restauração de ecossistemas e a interrupção do desmatamento em curso teriam os maiores benefícios de carbono”, explicou Mueller.

Sustentabilidade e nutrição

As dietas flexíveis têm sido adotadas por pessoas que procuram viver de maneira mais saudável e sustentável. Conhecidas como flexitarianas, elas têm como base frutas, verduras, legumes, grãos, castanhas e quaisquer vegetais. Ao contrário do que a maioria imagina, elas são extremamente nutritivas.

Aumentar o consumo de lentilhas, feijões, ervilhas, nozes e sementes, além de reduzir os impactos ambientais decorrentes da produção alimentícia, também é benéfico do ponto de vista nutricional.

A fibra solúvel encontrada em feijões e lentilhas, por exemplo, ajuda no combate ao colesterol alto, enquanto pinhões, linhaça, sementes de gergelim e girassol são fontes ricas em ácidos graxos, as chamadas “gorduras boas”.

Do ponto de vista ambiental, substituir proteínas animais por vegetais ajuda a reduzir a pressão sobre os ecossistemas, visto que as plantas usam uma pequena parte da área necessária para produzir carne e laticínios.

Os pesquisadores ressaltam que a redução da produção de carne é positiva em vários aspectos, inclusive para a qualidade e quantidade da água, habitat da vida selvagem, biodiversidade e prevenção de doenças zoonóticas (transmitidas por animais), como o novo coronavírus.

 

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