Quatro em cada dez espécies vegetais estão em risco de extinção

A Brugmansia sanguinea é nativa da América Latina. Foto: Kew Gardens

Cientistas alertam para o desaparecimento da maior fonte de sustento da vida terrestre.

Um estudo divulgado pelo jardim botânico Kew Gardens, no Reino Unido, revelou que quatro em cada dez espécies de vegetais no mundo estão ameaçadas de extinção, em consequência da degradação ambiental. O índice quase dobrou em relação à 2016, quando 21% das plantas estavam ameaçadas.

Divulgado em setembro, o levantamento avaliou a variedade de plantas e fungos existentes no planeta, as ameaças globais e as políticas ambientais para evitar a extinção das espécies. A análise foi realizada por 210 cientistas, inclusive do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, de 97 instituições em 42 países.

A cada ano, novas espécies são descobertas e descritas, enquanto outras seguem rumo à extinção. Em 2019, os botânicos catalogaram 1.942 espécies de plantas vasculares, com destaque para as com flores, samambaias e gimnospermas. Já os micologistas, registraram 1.886 novos fungos.

Os pesquisadores relatam que é comum descrever uma espécie que já foi extinta, pois a velocidade de extinção tem superado os esforços de catalogação e preservação. Isso significa o planeta está perdendo espécies que podem ser valiosas na produção de alimentos, medicamentos, além de desempenharem papéis cruciais na manutenção dos ecossistemas.

Países com grande biodiversidade, como o Brasil, são peças-chave na conservação da flora, destacam os cientistas. Desde 2008, o país é responsável por 10% das descobertas de plantas e fungos. Das 350 mil espécies conhecidas em todo o planeta, 36 mil estão em território brasileiro. Em 2019, o Brasil catalogou 216 espécies, contra 195 descobertas da China e 121 da Colômbia e Equador.

De acordo com o documento, plantas e fungos são os blocos de construção da vida na Terra. Os vegetais têm o potencial de resolver problemas urgentes que ameaçam a vida humana, mas esses recursos vitais estão sendo comprometidos pela perda de biodiversidade.

Entre as principais ameaças às plantas, estão a agricultura e aquicultura, a utilização como recurso natural e destruição dos ambientes naturais. Em relação aos fungos, o crescimento das áreas urbanas, o uso dos recursos naturais e a agropecuária são as maiores pressões às espécies, segundo a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

Segundo a pesquisadora Rafaela Forzza, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, as pessoas sabem que as baleias, golfinhos e micos-leões-dourados estão ameaçados. Mas, a sociedade é muito menos empática com as plantas ameaçadas. Ela destaca que, no Brasil, “estamos destruindo uma biodiversidade que nem conhecemos ainda”, disse à Agência Brasil.

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