Entidades e moradores pedem proteção do Parque da Serra do Rola Moça

Abandono de cães, explosão do tráfego na rodovia que o atravessa, roubo de plantas e atropelamento da fauna são ameaças crescentes no parque.

Press Release

Belo Horizonte, 14 de setembro de 2020 - Pela proteção dos ambientes naturais do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, centenas de entidades e pessoas físicas que atuam e vivem no entorno do parque, entre elas a Amda, enviaram ofício ao secretário de Estado de Meio Ambiente, Germano Vieira, e ao diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Antônio Malard.

No documento, solicitam melhorias na infraestrutura e fiscalização do parque, tendo em vista a explosão do tráfego na rodovia que o atravessa, ligando Belo Horizonte ao bairro Casa Branca, em Brumadinho. A expansão dos condomínios na região fez crescer a população e transformou o local em ponto turístico para milhares de pessoas, sobretudo nos fins de semana e feriados.

Denunciaram também o abandono crescente de animais domésticos no parque, aumentando os riscos à fauna silvestre, vulnerável a seus ataques e às doenças que podem transmitir. Muitos acabam ficando no parque e os que não morrem de fome, sede e frio, formam matilhas e caçam a já empobrecida fauna silvestre. Cães recolhidos por protetores de animais estavam com o focinho e até os olhos cheios de espinhos de um porco-espinho.

A gestão da fauna doméstica passou a ser atribuição do Estado desde maio de 2019 (Lei Estadual 23.304), mas nenhuma providência foi tomada pela Semad/IEF para coibir o abandono. As prefeituras dos municípios onde se localizam o parque – Belo Horizonte, Ibirité e Brumadinho – também não se interessam pelo parque, apesar de receberem ICMS ecológico.

Com o aumento no tráfego de veículos, cresceu também o número de atropelamentos da fauna nativa. O parque não tem sinalização, os redutores de velocidade são insuficientes e não há fiscalização, nem nos finais de semana. É comum motoristas atingirem altas velocidades.

Na semana passada, um filhote de veado, recém-nascido e perdido de sua mãe, foi encontrado por brigadistas da Amda e teve quer ser encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Ibama, em Belo Horizonte, para receber cuidados médicos e alimentação, pois teve suas patas queimadas. Pela sua pouca idade, não poderá ser solto na natureza, pois não aprenderá a viver sozinho.

Coleta de plantas nativas, como orquídeas e velózeas, para abastecer o comércio ilegal, é outra ameaça que permanece na Uc, sendo fator de destruição e degradação de sua biodiversidade animal e vegetal.

Encaminhamentos

As entidades sugeriram instalação de câmeras de segurança; ronda armada 24 horas; transferência do contingente da Polícia Militar de Meio Ambiente (PMMA) de Nova Lima para o parque; melhorias na sinalização; e ampliação dos mecanismos de controle de velocidade ao longo da rodovia que o corta, para garantir proteção da fauna silvestre e segurança dos usuários.

Em resposta ao ofício, o diretor-geral do IEF, Antônio Malard, informou que o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) reconheceu a responsabilidade sobre o trecho e afirmou ser possível melhorar a sinalização, instalar radares, bem como redutores de velocidade. Segundo Malard, é possível que as providências sejam tomadas dentro de um mês.

Informou ainda, que aproximadamente R$ 250 mil serão investidos no sistema de monitoramento e segurança da Uc. Será realizado em seis pontos, permitindo, inclusive, leitura de placas de veículos e comunicação em tempo real com a PMMA.

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