Brasil perdeu 87,2 milhões de hectares de vegetação nativa nos últimos 34 anos

Crédito: Daniel Beltra/Greenpeace

Agropecuária é responsável por 90% da destruição ocorrida no período.

As áreas de vegetação nativa no Brasil perderam 87,2 milhões de hectares entre 1985 e 2019, revelou o novo levantamento do MapBiomas. O montante equivale a 10,25% do território nacional e mais da metade pertence à Amazônia, embora o Cerrado seja o bioma proporcionalmente mais afetado pela destruição.

Estima-se que o bioma amazônico tenha perdido 44 milhões de hectares (Mha) no período, enquanto o Cerrado perdeu 28,5 Mha – cerca de 21% de toda sua área –, por isso o bioma é mais afetado em termos proporcionais. O Pampa também sofreu com altas taxas de destruição nos últimos 34 anos, perdendo 20% de seu território, o que corresponde a 2,3 Mha. Por outro lado, a área de florestas plantadas cresceu quase cinco vezes no bioma gaúcho.

No Pantanal e Caatinga as perdas de vegetação foram de 12% e 11%, respectivamente. Na Mata Atlântica, a perda líquida (perda total menos a área recuperada) foi de 5 milhões de hectares, embora a regeneração tenha superado a derrubada florestal nos últimos 10 anos.

A série histórica de mapas e dados anuais sobre a cobertura e uso da terra no país, indicou que a destruição se intensificou em 2018 e 2019 devido, sobretudo, à expansão agropecuária. Do total degradado no Brasil entre 1985 e 2019, a atividade é responsável por 90%. Nas últimas três décadas as zonas agrícolas quase triplicaram e a área da pecuária cresceu 43%, ocupando aproximadamente 78 milhões de hectares.

O Brasil ainda possui elevado índice de vegetação nativa: 66,8%. Entretanto, isto não significa que as áreas naturais brasileiras sejam intocadas e preservadas. "O levantamento do MapBiomas aponta que pelo menos 9,3% de toda a vegetação natural do Brasil é secundária, ou seja, são áreas que já foram desmatadas e convertidas para uso antrópico [do homem] pelo menos uma vez", explicou Tasso Azevedo, coordenador-geral do projeto que monitora o uso do solo no país.

Tasso explica que até entre as áreas que não foram desmatadas, há uma fração que já foi degradada por fogo ou exploração madeireira predatória. Isto é, alguma alteração sofreram.

Plataforma

A coleção do MapBiomas pode ser baixada e utilizada em sistemas de informação geográfica ou acessada aqui. É possível visualizar os dados em recortes territoriais de biomas, estados, municípios, terras indígenas, unidades de conservação, infraestrutura de transporte, energia, mineração e bacias hidrográficas.

A plataforma também apresenta módulos de mapas e estatísticas de desmatamento, recuperação de florestas e vegetação nativa em todos os biomas do país, além de infográficos e mapas do Brasil. A ferramenta é pública e gratuita. Os dados são provenientes de ONGs, universidades e também órgãos públicos, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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