Mico-leão-dourado ganha primeiro viaduto vegetado do Brasil

Passagem de fauna é contrapartida da duplicação da BR-101.

O primeiro viaduto vegetado para fauna do Brasil foi inaugurado no Rio de Janeiro para conectar as populações do mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia), primata ameaçado de extinção e restrito aos últimos fragmentos da Mata Atlântica no Estado. A estrutura foi construída na BR-101, no município de Silva Jardim, entre a Reserva Biológica de Poço das Antas e o Parque Estadual dos Três Picos.

A passagem de fauna foi erguida pela concessionária Arteris Fluminense como uma das condicionantes do licenciamento ambiental para duplicação da rodovia. A construção serve para unir dois fragmentos de Mata Atlântica que abrigam populações isoladas da espécie e minimizar os impactos da estrada, que fragmenta o habitat e forma uma barreira para os animais.

O viaduto foi coberto com mudas de plantas nativas da Mata Atlântica e os micos devem se sentir mais confortáveis para fazer a travessia à medida que a vegetação cresce. Promover o fluxo dos animais é fundamental para manter o equilíbrio ecológico e a variabilidade genética das populações, pois estimula a reprodução entre famílias diferentes.

Segundo o secretário-executivo da Associação Mico-Leão-Dourado, Luis Paulo Ferraz, nos próximos anos o viaduto já deve estar sendo utilizado pelos animais. “Os micos utilizam as árvores para mover, eles precisam se sentir protegidos de predadores. Se tudo der certo no plantio realizado, acreditamos que de dois a três anos já teremos um bosque que possibilite o uso”, disse ao G1.

Um segundo viaduto também está previsto no licenciamento ambiental para a duplicação da via. “Outras passagens mais leves também foram construídas como túneis para a fauna terrestre e passagens copa a copa (como uma passarela de pedestres) que permitem os animais cruzarem a rodovia", explicou Luis Paulo.

A espécie

O primata de pelos dourados apresenta distribuição restrita a remanescentes florestais severamente fragmentados da Mata Atlântica de baixada do Rio de Janeiro, fazendo com que seja classificado como “Vulnerável” pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Ele vive cerca de oito anos e tem hábitos diurnos. Durante a noite, dorme em ocos de árvores ou emaranhados de cipós e bromélias.

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