Ursos-polares podem desaparecer até 2100

Derretimento do gelo marinho afeta disponibilidade de alimento, reprodução e sobrevivência da espécie.

Dependentes do gelo marinho para caçar focas, sua principal fonte de alimento, os últimos 25.000 ursos-polares existentes no mundo podem desaparecer se o aquecimento global e a perda de gelo marinho persistirem no Ártico. As evidências são de estudo publicado na revista Nature Climate Change na última segunda-feira (20).

À medida que o gelo derrete, devido ao aumento da temperatura, os ursos são submetidos a longas caminhadas em terra firme e jejuns que extrapolam seus limites fisiológicos. Sem o gelo para caçar e descansar, os animais estão com dificuldades para se reproduzir e se alimentar, tornando a vida de seus filhotes ainda mais difícil.

Para prever até quando as 19 subpopulações da espécie conseguirão sobreviver e se reproduzir, os cientistas combinaram modelagens de clima e extensão de gelo com o orçamento de energia e gordura dos ursos.

As descobertas revelaram que mesmo em um cenário de aquecimento moderado, com elevação de até 2°C na temperatura mundial, alguns grupos serão extintos. Isto porque a perda de gelo e a consequente diminuição da oferta de alimento podem exceder a capacidade dos ursos de sobrevivência e reprodução.

"Estimamos o peso máximo e mínimo dos ursos, além de seu gasto de energia, então calculamos o número máximo de dias de jejum que um urso polar pode suportar antes que a taxa de sobrevivência de adultos e filhotes comece a declinar", explicou o coautor da pesquisa Péter Molnár, da Universidade de Toronto, no Canadá.

Duas subpopulações, uma no nordeste do Alasca e outra na Baía de Hudson (Canadá), já foram afetadas pelo degelo. Se a humanidade caminhar para um cenário de altas emissões, a maioria dos ursos-polares estão fadados à extinção até 2100, evidenciou o estudo.

“Se continuarmos as emissões de gases do efeito estufa no ritmo atual, é altamente provável que vamos perder todas as populações de ursos polares do mundo antes do final do século, exceto, talvez, no extremo norte do Ártico, nas Ilhas da Rainha Isabel”, disse Molnár, referindo-se ao cenário de altas emissões, com aumento de 4 C° na temperatura global até 2100.

Aquecimento dos polos

Os polos continuam derretendo, ao passo que o calor aumenta. Os níveis mais alarmantes pertencem à Groelândia, que entre 2002 e 2019 perdeu 4.550 bilhões de toneladas de gelo, uma média de 268 bilhões/t por ano. Só as perdas do último verão representam mais que o dobro das médias anuais para o local, indicou estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Irvine, e da NASA.

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertou como o rápido aquecimento dos oceanos e regiões polares e derretimento de geleiras estão exterminando cada vez mais a vida marinha e acelerando as mudanças climáticas.

 

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