Desmatamento pode impulsionar emissões no Brasil durante a pandemia

Expansão agrícola, em Mato Grosso. Crédito: Paulo Pereira/Greenpeace

Se 2020 seguir a tendência de 2019, até o final do ano a Amazônia pode perder 14,5 mil km2 e dobrar as emissões. 

Enquanto as emissões de gases de efeito estufa caíram 17% em todo o mundo durante a pandemia, as emissões do Brasil podem subir entre 10% e 20% neste ano em relação a 2018, último ano com dados disponíveis. As informações integram análise do Observatório do Clima, divulgada na última quinta-feira (21).

De acordo com o documento, o desmatamento na Amazônia, que vem batendo recordes desde o início do ano, é a principal causa para o aumento da poluição. Em abril, 529 km² da floresta foram derrubados. A taxa é a maior já registrada nos últimos dez anos, indicou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Os dados apontaram aumento de 171% na área desmatada em abril de 2020, na comparação com o mesmo mês de 2019. 

Para Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório, “a aceleração do desmatamento e das emissões decorre diretamente das ações do governo Bolsonaro de desmontar os planos de controle, por um lado, e estimular o crime ambiental, por outro. ”

Nem mesmo a queda esperada para o setor energético e industrial compensarão as emissões causadas pelo desmatamento, apontou a análise. Tendo como base a média dos últimos cinco anos, esperara-se que as emissões provenientes do desmatamento cresçam 29% entre maio e julho deste ano em comparação ao mesmo período de 2018. Porém, se 2020 seguir a tendência de 2019, até o final do ano a Amazônia pode perder 14,5 mil km2 e contabilizar emissões 51% maiores às de 2018.

“A depender do que acontecer com o desmatamento da Amazônia, as emissões em 2020 podem ser da ordem de 2,1 bilhão a 2,3 bilhões de toneladas brutas. Isso desviaria o país tanto do cumprimento da Política Nacional de Mudança do Clima, que tem meta de emissões decrescentes para 2020, quanto do Acordo de Paris, que prevê emissões de 1,3 bilhão de toneladas de CO2 equivalente para 2025”, explicou o Observatório do Clima.

Segundo o levantamento, o Brasil é o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, mas com um perfil diferente, no qual o uso da terra responde por mais de dois terços das emissões. Por isso, a redução da atividade industrial e dos transportes, devido à pandemia, deve ter pouca interferência sobre as emissões no país, ao contrário do que se tem observado ao redor do mundo.

Em 2018, o Brasil emitiu 1,9 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente, sendo a mudança do uso da terra responsável por 44% desse valor. A mudança corresponde às alterações feitas pelo homem sobre os ambientes naturais. Logo após a categoria, vem a agropecuária, que abrangeu 25% das emissões em 2018; seguida de energia (21%); processos industriais (5%); e resíduos (5%).

O relatório alerta para o aumento das emissões no Brasil em 2020 em relação a 2019. "Isso decorre do fato de a principal fonte de emissões, que são as mudanças de uso da terra, estar em franca expansão pelo crescimento do desmatamento na Amazônia, que avança a despeito da pandemia". 

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