Marco zero do coronavírus, Wuhan proíbe comércio de animais silvestres

Pangolim, mamífero mais traficado no mundo, pode ser o transmissor do novo coronavírus. Crédito: Elyane e Cedric Jacquet

Anúncio vem após estudos relacionarem a pandemia com o comércio de animais silvestres, extremamente comum na China.

A cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, na China, proibiu o comércio e consumo de animais silvestres por cinco anos, informou a China Global Television Network (CGTN) ontem (20). A decisão faz parte das medidas adotadas pelo governo para combater  o tráfico de vida selvagem, apontado como um dos propulsores da pandemia do novo coronavírus.

Em comunicado, as autoridades chinesas também vetaram, além da venda, a caça de espécies selvagens, com exceção apenas para “pesquisa científica, regulação populacional, monitorização de doenças epidêmicas e outras circunstâncias especiais”. A decisão tem efeito imediato.

Os antigos criadores de animais serão contemplados com programas de crédito e incentivos para garantir meios de subsistência alternativos, como a produção de chá ou vegetais. A ideia é manter a renda da população e evitar que o comercio de vida selvagem continue na ilegalidade.

Com a proibição, o governo diz estar criando um “santuário da vida selvagem” na cidade. O anuncio vem após estudos relacionarem a pandemia com o comércio de animais silvestres, extremamente comum na China. Estima-se que 60% das doenças infecciosas emergentes são de origem animal e a maior parte delas provêm de espécies silvestres.

Embora a origem da Covid-19 ainda não tenha sido foi comprovada, acredita-se que o primeiro paciente infectado na China tenha consumido um morcego ou pangolim de mercados locais.

O mercado de frutos do mar Huanan, em Wuhan, é um dos principais centros de distribuição de animais silvestres na China e tem sido considerado o marco zero do coronavírus. Nas feiras são comercializados – vivos e mortos – ratos, serpentes, pangolins, morcegos e até filhotes de lobos.

Esses locais são conhecidos como mercados úmidos, devido ao grande volume de sangue e vísceras que escorre pelas bancadas de abate. Além da higiene precária, os produtos comercializados são extremamente perecíveis. Animais exóticos, domésticos e de todos as origens são confinados em gaiolas apertadas, gerando estresse e difusão de doenças entre os bichos.

Organizações ambientalistas de todo o mundo já pediram o banimento desses mercados, tendo em vista os riscos de proliferação de doenças devido às condições insalubres nas quais os bichos são submetidos. Desde fevereiro, o país asiático tem adotado regras mais duras quanto aos mercados de vida selvagem, sendo a proibição de Wuhan a mais abrangente até agora.

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