Desmatamento na Amazônia é o maior em 10 anos

Crédito: Peter Muller

Derrubada da floresta cresceu 171% em abril deste ano, abrangendo 529 km² do bioma.

Após os alertas de desmatamento na Amazônia dobrarem nos três primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período de 2019, o mês de abril atingiu novo recorde. Ao todo, 529 km² da floresta foram derrubados no mês passado. A taxa é a maior já registrada nos últimos dez anos, informou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Os dados, obtidos pelo Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Imazon, apontaram aumento de 171% na área desmatada em abril de 2020, na comparação com o mesmo mês de 2019. O Pará foi o estado que liderou o ranking, abrangendo 32% da derruba florestal registrada na Amazônia.

Em segundo lugar ficou o Mato Grosso, com 26% de toda área desflorestada; seguido de Rondônia (19%); Amazonas (18%); Roraima (4%); e Acre, que ficou responsável por apenas 1% do desmatamento.

O crescimento do desmate já havia sido previsto pelo Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter-B), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que detecta, quase em tempo real, alterações na cobertura florestal.

Os dados preliminares do Inpe indicaram elevação de 64% nos alertas de desmatamento em abril de 2020 e de 51% nos três primeiros meses do ano em comparação a mesma época de 2019. Agora, o levantamento do Imazon, divulgado nesta semana, reafirmou a tendência de aumento, que ocorre em meio à crise do coronavírus.

Com a fiscalização reduzida, devido à pandemia, os crimes ambientais dispararam na Amazônia. A maior preocupação paira sobre as comunidades indígenas, vulneráveis ao avanço dos garimpos ilegais, das queimadas e do desmatamento. Os atos ilícitos não só destroem a floresta, mas também colocam em risco a sobrevivência dos povos tradicionais.

No início deste mês, o fotógrafo Sebastião Salgado lançou campanha internacional para pressionar o presidente, Jair Bolsonaro, e as autoridades brasileiras a adotarem medidas para proteger as aldeias de invasores, potenciais transmissores da Covid-19. De acordo com a Funai, mais de 350 índios já foram infectados com a doença.

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