Governo aprova mais de 100 agrotóxicos durante a pandemia

Desde o início do ano, 150 novas substâncias químicas foram liberadas. 

Em meio ao estado de calamidade pública enfrentado pelo Brasil, o Governo Federal continua colocando mais veneno no prato dos brasileiros. De março até agora, 118 novos agrotóxicos foram registrados, enquanto o número de substâncias liberadas desde o início do ano chegou a 150.

Compostos proibidos na União Europeia, como o clorotalonil, o glufosinato e a ametrina integram grupo das últimas aprovações. O ritmo de liberação é semelhante ao do ano passado, recordista em concessão de registros, quando foram aprovados 165 produtos agrotóxicos até maio.

As liberações devem continuar mesmo durante a crise do coronavírus, pois o combate a pragas e atividades relacionadas à cadeia produtiva são consideradas essenciais, segundo a Medida Provisória 926 e o Decreto 10.282, publicados em 20 de março. Na última década, o ritmo de liberação de veneno nunca esteve tão acelerado e a expectativa é que 2020 bata novo recorde.

Alan Tygel, da Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida, lamentou que, mesmo durante a quarentena, a população seja exposta a mais agrotóxicos. “A pandemia não foi capaz de reduzir o ritmo de liberações do governo. Provavelmente vamos ter um número parecido ou superior com o do ano passado. Além dos registros efetuados, o governo vem publicando a fila de registros, aqueles que estão esperando”, afirmou.

Segundo o governo, a maioria dos pesticidas liberados são genéricos, isto é, são produzidos com princípios ativos já utilizados nas lavouras. Entretanto, há perigos encobertos nos mais recentes registros, já que a liberação de outros produtos abre brechas para diferentes combinações químicas. É o chamado efeito coquetel, no qual a interação entre as substâncias pode gerar efeitos desconhecidos e desastrosos para a saúde pública.

De acordo com as Nações Unidas, os agrotóxicos matam 200 mil pessoas por ano em todo o mundo por intoxicação aguda. Dados da ONU também indicam que cinco dos dez pesticidas mais vendidos no Brasil não são autorizados em diversos países devido aos riscos à saúde humana e aos ecossistemas.

Esses produtos são a causa de diversas doenças e a exposição a longo prazo pode causar  até câncer. Eles também causam impactos devastadores na natureza. De acordo com o Greenpeace, os pesticidas são a segunda maior causa de contaminação das águas do Brasil. Já foram identificados em peixes e em amostras de águas 27 tipos de agrotóxicos, muitas das vezes em quantidades acima do permitido.

 

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