Governo desmantela chefia de fiscalização do Ibama

Crédito: Ibama/Divulgação
Crédito: Ibama/Divulgação

Servidores denunciam retaliação e obstrução de operações com mudanças nas coordenações de fiscalização do Ibama.

 

Após a saída do diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, devido à repercussão das operações contra garimpos ilegais em Terras Indígenas, mais dois chefes de fiscalização deixaram o órgão ambiental. As exonerações foram assinadas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim.

Hugo Loss, coordenador de operações de fiscalização do Ibama, saiu para dar lugar ao analista ambiental Leslie Nelson Jardim Tavares. Já o coordenador-geral de fiscalização ambiental, Renê Luiz de Oliveira, servidor do instituto há 15 anos, será substituído por Walter Mendes Magalhães Júnior.

Walter comandou a superintendência do Ibama no Pará durante sete meses e esta é a única experiência que o ex-policial militar possui na área ambiental. Enquanto esteve no cargo, ele burlou procedimentos internos do órgão, permitindo a exportação de carregamentos ilegais de madeira da Amazônia, denunciou o The Intercept Brasil.

Sem nenhuma justificava técnica, as trocas atendem pedido do novo diretor de Proteção Ambiental, Olímpio Magalhães, substituto de Olivaldi Azevedo. Com a renovação da chefia, a ideia é traçar novas diretrizes para as ações fiscalizatórias, já que os antigos chefes não conseguiram “segurar” o setor de fiscalização do órgão.

Desde a veiculação da reportagem do Fantástico, mostrando fiscais do Ibama queimando equipamentos utilizados por garimpeiros no Pará, prática criticada pelo presidente Jair Bolsonaro, iniciou-se a “caça às bruxas” no Ibama. Hugo Loss, inclusive, foi um dos responsáveis pela ação contra os garimpos e concedeu entrevista à TV Globo sobre a operação que estaa

Nem mesmo a mobilização dos servidores do Ibama, em prol dos coordenadores, impediu as exonerações. Em nota, 16 analistas ambientais do instituto questionaram os cortes após resultados expressivos na Amazônia Legal. Para eles, exonerar os chefes poderia “refletir retaliação aos servidores.”

“Vislumbra-se, ainda, a possibilidade de dificultar ou, talvez, obstruir as investigações e as operações em curso, senão por uma ação direta, ao menos como resultado de uma mudança de gestão que implicaria em descontinuidade dos trabalhos desenvolvidos”, disseram. Apesar dos protestos, Eduardo Bim e Ricardo Salles foram irredutíveis em suas decisões.

Cortes

Renê Luiz e Hugo Loss agora fazem parte da extensa lista de servidores exonerados durante o governo Bolsonaro. Entre as exonerações mais polêmicas, está a do servidor do Ibama José Augusto Morelli, responsável pela ação fiscalizatória que autuou e multou o presidente em R$ 10 mil por pesca ilegal, em 2012.

Até a indicação de Loss à coordenação de operações de fiscalização foi cercada de controvérsias. Ele substitui o então coordenador, Roberto Cabral, fiscal de perfil totalmente técnico. Para os servidores do Ibama, sua exoneração também foi retaliação devido ao seu trabalho em campo.

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