Covid-19: grandes símios são vulneráveis à doença

O vírus do ebola, que também ataca humanos, a mortalidade é de 95% em gorilas.

Síndromes respiratórias, como o Covid-19, dizimaram populações de macacos em outras épocas.

O mesmo coronavírus que afeta humanos pode atingir nossos parentes vivos mais próximos, os grandes símios. Por compartilharem cerca de 98% do DNA humano, eles estão suscetíveis à contaminação por Covid-19 se tiverem contato com pessoas infectadas. O alerta foi dado por um grupo de 26 pesquisadores em carta publicada na revista científica Nature.

Os cientistas ainda estão avaliando o grau de letalidade do novo coronavírus em macacos, mas sabe-se que síndromes respiratórias, como o Covid-19, já foram mortais para macacos em outras épocas, embora não fossem severas em humanos. No caso da pandemia atual, que já ceifou vidas de milhares de pessoas em todo o mundo, a ameaça aos símios pode ser ainda maior.

Ainda não há registros de grandes primatas contaminados com a doença, mas casos envolvendo outros animais chamou a atenção da comunidade científica. Muitas espécies já correm risco de extinção devido à destruição de seus habitats e à caça furtiva, de modo que uma pandemia poderia dizimar as populações de chimpanzés, gorilas, bonobos e orangotangos.

Apesar da transmissão entre espécies não ser tão fácil, pois a maioria dos patógenos são adaptados ao organismo no qual parasitam, mutações genéticas – frequentes nesse tipo de vírus – podem permitir que os microrganismos encontrem novos hospedeiros. Estudos mostram que diferentes surtos de doenças respiratórias foram documentados em primatas selvagens na última década.

Populações de gorilas e chimpanzés, por exemplo, já foram severamente afetadas por patógenos, como sarampo, poliomielite e bactérias intestinais, originárias de seres humanos e transmitidas por atividades como turismo, caça e até pesquisa. No caso do ebola, que ataca humanos, a mortalidade é de 95% em gorilas.

Santuários africanos já fecharam suas portas para proteger os macacos. A orientação dos especialistas é para que o turismo seja suspenso e as atividades de pesquisa em campo ao máximo reduzidas.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) pediu para que humanos mantenham distância de dez metros dos primatas. Pessoas que tiveram contato com doentes nos últimos 14 dias só podem visitar os animais em situações especificas e com permissão.

“Como especialistas em conservação e saúde desses animais, instamos governos, profissionais de conservação, pesquisadores, profissionais de turismo e agências de financiamento a reduzir o risco de introduzir o vírus nesses macacos ameaçados”, pontuou o grupo de pesquisadores.

 

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