Ararinhas-azuis estão de volta ao Brasil

Crédito: Marcus Romero

Grupo de 50 indivíduos será reintroduzido na Bahia, onde a espécie foi extinta há décadas.

Extintas na natureza há 20 anos, as ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) chegaram ao Brasil nesta semana para serem devolvidas ao seu habitat natural: a caatinga. Ao todo, 50 aves criadas em cativeiro na Alemanha desembarcaram em Curaçá, na Bahia, no Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul, onde foi construído um centro de reintrodução e reprodução para a espécie.

As aves ficarão de quarentena por 21 dias no próprio refúgio e, após o período, elas serão encaminhadas a um viveiro para adaptação. A primeira soltura deverá ocorrer no decorrer do ano. Para que a espécie se adapte melhor ao novo habitat, aves Maracanãs irão fazer companhia às ararinhas. 

“As maracanãs ainda vivem na região, são da mesma família da ararinha e têm os mesmos hábitos, tanto alimentares quanto de dormitório. Elas vão ajudar as ararinhas a escolher os melhores locais para dormir, descansar, reproduzir e se alimentar”, explicou Camile Lugarini, médica veterinária do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

A ação faz parte de projeto de conservação desenvolvido entre ONG alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além de repatriar as aves, o programa irá monitorar os indivíduos reintroduzidos via satélite.

“Depois de soltas na natureza, a tecnologia permitirá o monitoramento em tempo real das aves por meio de rádio colares, ferramentas que também ajudarão na obtenção de informações sobre os hábitos e movimentos da espécie na caatinga”, indicou o Ministério do Meio Ambiente.

Histórico

Restrita a um pequeno fragmento da caatinga na Bahia, a ave teve suas populações arrasadas pela caça furtiva e destruição das matas de galeria em que habitava. Acredita-se que entre as décadas de 1960 e 1970 traficantes caçaram os últimos exemplares da espécie para atender a demanda do “mercado negro”.

Em 1980 foram registrados apenas três indivíduos em estado selvagem, de forma que a última arara livre foi vista nos anos 2000. Mas os esforços para conservação da espécie só tomaram forma em 2012, com a criação do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-Azul.

Nos primeiros seis anos do plano, o objetivo principal era aumentar a escassa população da ave em cativeiro. Com o envolvimento de vários agentes internacionais, uma instituição do Catar finalmente obteve sucesso na reprodução artificial da espécie. Mais tarde a entidade asiática fechou as portas e confiou as ararinhas à instituição alemã ACTP.

Em 2017, já haviam 150 indivíduos em cativeiro, o que possibilitou a execução da segunda fase do projeto, a reintrodução da ararinha. Hoje, há 180 exemplares em cativeiro, segundo dados do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

Apesar dos riscos, envolvendo a adaptação da espécie à nova morada, os pesquisadores responsáveis pelo projeto estão confiantes.

Ararinha-azul

A ave foi descoberta no início do século XIX pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix. Exclusiva da caatinga brasileira, a espécie ganhou fama internacional ao ser retratada na animação “Rio”, em 2011.

Em junho de 2018, o governo federal criou em sua área de ocorrência original duas unidades de conservação: o Refúgio de Vida Silvestre, com 29,2 mil hectares, e a Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul, com 90,6 mil hectares, destinadas à reintrodução e proteção da espécie e para conservar o bioma da Caatinga.

 

 

 

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