Jabutis são reintroduzidos no Parque Nacional da Tijuca após 200 anos extintos

Jabutis são considerados "jardineiros" das florestas/Crédito: Tomaz Silva Agência Brasil

Ovos da espécie foram encontrados dias após a soltura. Os filhotes devem nascer nos próximos meses.

Extintos das florestas do Rio de Janeiro há mais de 200 anos, os jabutis-tinga (Chelonoidis denticulatus) foram reintroduzidos no Parque Nacional da Tijuca, um dos últimos refúgios da espécie na Mata Atlântica. A iniciativa, do Projeto Refauna, visa a reintrodução de vertebrados de médio e grande porte em remanescentes do bioma no estado carioca.

Ao todo, 28 indivíduos foram reintroduzidos na unidade de conservação no início do ano. Os animais vieram de diversos cantos do país. Alguns do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Belo Horizonte, em Minas Gerais, outros provenientes de instituições de São Paulo e Mato Grosso.

Eles foram submetidos a diversos exames, para averiguar o estado de saúde e as condições de adaptação ao local. Os que passaram na triagem foram inseridos na área de soltura e equipados com radiotransmissores.

Os dados obtidos pelos aparelhos de monitoramento indicam que os animais passam bem e estão se espalhando pelo parque, conforme o esperado. Rubi, uma das fêmeas reintroduzidas, já percorreu um quilômetro desde a soltura, o que mostra colonização de novas áreas.

Outra fêmea, apelidada de 'Pedra Portuguesa', já colocou 4 ovos nos primeiros 15 dias no novo habitat. A estimativa é que os filhotes nasçam nos próximos meses. A reprodução indica familiaridade e adaptação à área, mas, segundo a equipe da Refauna, é preciso esperar ao menos 30 dias desde a data de soltura para avaliar a eficácia da reintrodução.

Jabutis são animais com baixas taxas reprodutivas, fazendo com que as populações declinem rapidamente na existência de pressões, como caça e desmatamento. A experiência é a primeira de reintrodução da espécie em parques brasileiros, por isso todo cuidado é pouco. A orientação é que os visitantes nunca alimentem, nem interajam ou interfiram na vida dos animais.

Reintrodução da fauna

Originalmente, a Mata Atlântica cobria todo o território do Rio de Janeiro, mas a expansão urbana e o desmatamento suprimiram a área do bioma em aproximadamente 80%. Com a destruição dos ambienteis naturais, muitos animais desapareceram da região, comprometendo a dispersão de sementes de árvores nativas e outras funções ecológicas.

No caso da Floresta da Tijuca, a extração de madeira desordenada e a expansão agrícola promoveram intenso desmate ao longo do século XIX. A área foi reflorestada décadas depois – sendo uma das primeiras áreas protegidas do mundo –, mas grande parte dos animais já havia sido extinta do local ou ficado à beira da extinção. Por isso projetos de refaunação são essenciais nesta região.

O jabuti-tinga é o terceiro animal reintroduzido no Parque Nacional da Tijuca pelo projeto Refauna. O primeiro caso de sucesso foi o da cutia-vermelha (Dasyprocta leporina). Após 40 anos de extinção local, um grupo foi solto no parque em 2009. Em 2015 foi a vez do bugio voltar a habitar o parque.

Considerados “jardineiros” das florestas, os jabutis dispersam sementes de plantas nativas e predam plantas invasoras. Sua presença é importante no controle de pragas e na diversificação das espécies da flora.

 

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