Mudanças climáticas aceleram extinção das abelhas

Três quartos dos alimentos cultivados dependem da polinização das abelhas.

Na América do Norte, a ocorrência do inseto reduziu quase pela metade em 25 anos.

Em risco de extinção devido ao uso intenso de agrotóxicos nos cultivos, as abelhas sofrem com outra ameaça: o calor. Ao analisarem a ocorrência destes insetos na América do Norte e Europa, cientistas descobriram que a maior ocorrência de dias quentes está aumentando as taxas de extinção local da espécie. Acredita-se que abordagens anteriores subestimaram os efeitos das mudanças climáticas sobre o declínio das abelhas, sobretudo no que tange às espécies européias.

O estudo, liderado por Peter Soroye, doutorando da Universidade de Ottawa (Canadá), indicou que o aumento da temperatura interfere diretamente na colonização de novas áreas e na ocupação dos locais pelas abelhas. Em regiões de aquecimento a riqueza de espécies tende a ser menor. 

Na América do Norte, a ocorrência de abelhas diminuiu cerca de 45% entre 1975 e 2000. Seguindo tendência semelhante, na Europa, as taxas de sobrevivência do inseto caíram aproximadamente 17% no mesmo período.

Estima-se que as chances de sobrevivência das populações do inseto reduziram 30% no decorrer de uma única geração humana. Se as temperaturas médias continuarem a subir, “as abelhas podem enfrentar um aumento insustentável na frequência de temperaturas extremas”, indicou a pesquisa.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados de 66 espécies de abelhas, existentes na Europa e América do Norte, coletados ao longo de 115 anos. Assim, eles conseguiram estudar o comportamento e localização das abelhas para calcular o risco de extinção da espécie e identificar as áreas prioritárias para conservação.

De acordo com o estudo, o método desenvolvido permite previsões espaciais nítidas das chances de extinção e colonização das populações no cenário de mudança climática, explicando os padrões observados de perda e expansão da área de ocorrência das abelhas em todos os continentes.

A ideia é traçar mecanismos para proteger estes animais das mudanças climáticas “mantendo habitats que oferecem abrigo, como árvores, arbustos ou declives, que poderiam deixar os insetos escaparem do calor” explicou o professor Jeremy Kerr, da Universidade de Ottawa.

Ameaça aos ecossistemas

Essenciais para manutenção da vida no planeta, as abelhas são responsáveis pela polinização da flora silvestre e grande parte das fontes de alimento. Culturas agrícolas essenciais, como tomate e abóbora, podem acabar sem a fertilização das abelhas. Na ausência destes insetos, os ecossistemas entrariam em colapso.

Estudos anteriores alertaram para diminuição das abelhas em decorrência do uso intenso de agrotóxicos, sobretudo os neonicotinóides, extremamente tóxicos. Em contato com pesticidas, as abelhas são intoxicadas ou perdem o caminho de volta, deixando a colmeia vazia. Em casos mais graves, não conseguem se alimentar e morrem por inanição.

Relembre a entrevista da Amda com Roberto Carlos Alves sobre a importância das abelhas para o equilíbrio ambiental.

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