Calor extremo da Austrália mata 4,5 mil raposas-voadoras em três dias

Voluntária segura uma raposa-voadora-de-cabeça-cinza resgatada no Parque Yarra Bend / Crédito: Doug Gimesy

Fenômeno mortal aconteceu em dezembro, quando a temperatura atingiu cerca de 43°C

A Austrália vive o verão mais quente e mais seco de sua história. O calor extremo pode ser fatal para algumas espécies, como a raposa-voadora-de-cabeça-cinza. Em três dias, pouco antes do Natal do ano passado, 4,5 mil animais morreram no Parque Yarra Bendna, em Melbourne. A perda corresponde a 15% da população que vive no parque.

Um estudo constatou que, entre 1994 e 2007, aproximadamente 30 mil raposas-voadoras-de-cabeça-cinza morreram devido ao calor extremo na Austrália. De acordo com Stephen Brend, biólogo encarregado de monitorar os animais no parque Yarra, é normal a ocorrência de mortes em dias quentes. Mas desta vez as altas temperaturas vieram logo após a temporada de nascimento de filhotes, contribuindo para uma mortalidade extraordinariamente alta. Como os filhotes estavam em fase de amamentação, as reservas de energia das mães esgotaram e todos ficaram mais vulneráveis.

Segundo reportagem da National Geographic, uma profusão de dias quentes em dezembro culminou com o fenômeno mortal de três dias, quando se atingiu o pico de cerca de 43°C no dia 20.

Um dia no calor extremo

Brend relatou como é o dia da raposa-voadora durante uma onda de calor. Ao amanhecer, elas voltam para as árvores depois de passarem a noite se alimentando de néctar e frutas. Às 8h, seus ninhos aquecem. Elas batem as asas para se refrescar, mas por pouco tempo, pois logo se cansam. Ao meio-dia, estão exaustas e as temperaturas continuam a subir. Elas começam a ficar ofegantes, acelerando a desidratação.

Os animais poderiam voar até o rio para beber água, “mas é difícil voar no meio de uma onda de calor”, explicou Brend. Voar requer energia e, como estão exaustos e desidratados, simplesmente ficam parados. Aflitos e começando a entrar em pânico, os morcegos tentam encontrar um local fresco. As mães deixam os bebês em galhos e se afastam em busca de um tronco mais fresco. Os animais seguem uns aos outros. Eles se amontoam e aqueles que chegaram primeiro ficam cercados e sufocados por dezenas de outros.

É neste momento que Brend e sua equipe interferem para tentar desfazer os aglomerados e lançar jatos d’água nos animais, o que os resfria e mata a sede. Em 20 de dezembro do ano passado, no auge do fenômeno térmico de três dias, “não houve trégua”. Às 21 horas o grupo ainda lançava água, mas ficou completamente escuro, galhos caíam e havia cobras peçonhentas na mata. “Tivemos que cancelar as atividades. Não conseguíamos enxergar. Estava 38°C. Foi bastante desolador”, lembrou.

Apesar de o Parque Yarra Bend não ter sido atingido por incêndios, grande parte do habitat das raposas-voadoras fica diretamente nas zonas de incêndio ao longo da costa leste da Austrália. “Não existe o consolo de que Melbourne está arruinada, mas a situação está melhor no norte de Nova Gales do Sul - as condições estão ruins por toda parte”, lamentou Brend. Segundo ele, o calor extremo e os grandes incêndios “têm o potencial de exterminar toda a geração de morcegos recém-nascidos de 2019”. Aproximadamente 80% dos filhotes da espécie nascem em outubro.

 

Com informações da National Geographic

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