Abastecimento de água por Vargem das Flores caminha para comprometimento cada vez maior

Crédito: Prefeitura de Contagem

PL de uso do solo encaminhado pela prefeitura de Contagem a vereadores consolida ocupações irregulares e atende interesses da especulação imobiliária

A represa de Vargem das Flores, em Contagem, que abastece a RMBH, parece estar com seus dias contados. A denúncia foi feita em audiência da Comissão de Meio Ambiente da ALMG realizada na última quinta-feira (21). Ambientalistas, líderes comunitários e políticos questionaram o Plano Diretor aprovado por Contagem em 2017 e o PL de parcelamento e uso do solo, em tramitação na Câmara Municipal. Para eles, as normas atendem a interesses da especulação imobiliária, colocando em risco o ecossistema do reservatório que abastece Contagem, Betim e Belo Horizonte.

Todos os convidados da reunião defenderam que é necessário prazo maior para aprofundar a discussão do projeto, que carece de estudos técnicos. Para o vereador Rubens Campos, a proposta libera o uso do solo urbano de forma muito ampla. “A discussão não é só de Contagem, pois tem uma dimensão política, econômica e social muito maior. O tema afeta toda a Região Metropolitana”, afirmou. Ele acredita que “se o projeto for aprovado como está, a represa de Vargem das Flores vai virar um brejo”.

A deputada Marília Campos (PT) defendeu o adiamento da análise do projeto e sugeriu que a Câmara elabore um estudo técnico de impacto. Ela manifestou preocupação com os danos ambientais e “o adensamento populacional que poderá comprometer a vida útil da área de proteção ambiental” se o projeto for aprovado com o texto atual. Campos lembrou que estudo encomendado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) garante que se a bacia obtiver um plano de ordenamento, sua vida útil chegará a mais de 70 anos. Caso contrário, cairá para 21 anos.

Hildebrando Canabrava Neto, secretário-executivo do Copam, informou que a Copasa deve elaborar plano de manejo para a área, mas a previsão é que seja concluído somente em 2021. A Copasa não compareceu à reunião alegando problemas de agenda.

Para a superintendente da Amda, Dalce Ricas, a única novidade da audiência, e em sua opinião, extremamente positiva, é a mobilização para defender a represa. “A degradação de seu entorno vem acontecendo há muito tempo. A Copasa nunca se importou, o governo do Estado também e todos os prefeitos foram autores, cúmplices ou omissos. Esperamos que desta vez a especulação imobiliária ‘perca a parada’”, disse.

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