Emissões de gases de efeito estufa cresceram 1,6% ao ano entre 2008 e 2017

Crédito: PNUMA

Índice está muito perto do projetado para 2020 caso o mundo não alterasse os modelos de crescimento insustentáveis e poluentes

Entre 2008 e 2017, as emissões de gases de efeito estufa cresceram a uma média de 1,6% ao ano. O índice está quase exato ao projetado para 2020 se o mundo não alterasse seus modelos de crescimento insustentáveis e poluentes. O alerta é da ONU Meio Ambiente em uma retrospectiva de dez anos de seu Relatório de Emissões. A publicação, divulgada no final de setembro, compara níveis de emissão para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

Na última década, o mundo parece ter feito exatamente o oposto do que deveria para mitigar as emissões. Segundo os pesquisadores, com as políticas atuais em vigor, o planeta caminha para um aumento de temperatura de 3,5°C neste século, em comparação com os níveis pré-industriais. Isso está muito além dos objetivos do Acordo de Paris, que visa limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C, ou pelo menos bem abaixo de 2°C. Se este cenário se concretizar, todas as previsões de impactos climáticos catastróficos se tornarão realidade: elevação do nível dos mares, eventos climáticos extremos e danos incalculáveis às pessoas, prosperidade e natureza.

De acordo com o relatório, as nações devem pelo menos triplicar o nível de ambição refletido em suas promessas climáticas sob o Acordo de Paris para alcançar a meta de um mundo abaixo de 2°C. Para a meta de 1,5°C, devem aumentar a ambição em pelo menos cinco vezes.

Para a ONU, será crucial uma ação forte dos membros do G20, que juntos representam 80% de todas as emissões de gases de efeito estufa. Segundo o capítulo preliminar do Emission Gap Report, essa ação ainda não foi vista.

O resumo aponta diversas soluções para cumprir as metas de Paris, como utilizar apenas tecnologias comprovadas. Dessa forma, o mundo poderia cortar 33 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente por ano até 2030, equivalente a mais da metade das emissões globais anuais de gases de efeito estufa atuais. Isso é mais do que suficiente para permanecer no caminho para o objetivo de 1,5 °C.

A ONU pontua que cerca de dois terços desse potencial estão disponíveis em áreas onde um rápido progresso é possível: energia solar e eólica, aparelhos eficientes, automóveis de passageiros eficientes, reflorestamento e interrupção do desmatamento. Apenas uma fração desse potencial é capturada em compromissos nacionais sob o Acordo de Paris.

O fim dos subsídios aos combustíveis fósseis reduziria as emissões globais de carbono em até 10% até 2030. A diminuição de poluentes climáticos de curta duração - como fuligem e metano - pode reduzir as temperaturas rapidamente, pois eles não permanecem na atmosfera da mesma maneira que o dióxido de carbono.

Em novembro, a ONU Meio Ambiente publicará a décima edição do Emission Gap Report. Ele detalhará o tamanho dos cortes anuais de emissões necessários para permanecer no caminho certo para cumprir as metas do Acordo de Paris. Isso informará os negociadores dos países que se reunirão para a próxima rodada de negociações climáticas sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC).

 

 

Com informações do EcoDebate

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