Mata Atlântica em Minas arde: diariamente novos focos de incêndio destroem fragmentos preciosos do bioma

Estima-se que mais de 1.000 hectares de florestas e campos ferruginosos podem ter sido destruídos pelas chamas

Press Release

Belo Horizonte, 12 de setembro de 2019 - A Mata Atlântica em Minas Gerais está virando cinza. A cada dia aumenta o número de focos. Somente no município de Rio Manso, cujo manancial de mesmo nome abastece grande parte da região metropolitana de Belo Horizonte, estima-se que 300 hectares de florestas em estado avançado de regeneração tenham sido destruídos. Em Ouro Preto, Congonhas, Sabará, Itabira, Moeda, Brumadinho, Barão de Cocais e Santa Bárbara o fogo continua avançando e alguns focos já estão fora de controle devido ao tamanho da linha de fogo e altura das chamas. A área destruída já superou em muito o impacto causado pela ruptura das barragens de Fundão e Córrego do Feijão.

Como pano de fundo da tragédia dos incêndios, emerge o fato de que o governo não tem plano para proteção da Mata Atlântica. Os incêndios são encarados de forma pontual e mesmo as ações de combate são restritas às unidades de conservação, enquanto ambientes naturais de grande importância são atingidos. Nem fogo no entorno de mananciais são combatidos. No de Rio Manso, o fogo queimou durante quatro dias sem que a Copasa tomasse qualquer providência, mesmo tendo recebido pedido de ajuda dos brigadistas que atuaram no combate.

“Não temos dúvida de que o próximo levantamento do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais] e da Fundação SOS Mata Atlântica manterá Minas como campeão imbatível entre os Estados que mais perderam Mata Atlântica”, lamenta Dalce Ricas, superintendente da Amda.

Em audiência pública realizada na ALMG no último dia 5 sobre incêndios, Dalce alertou a insuficiência de brigadistas do PrevIncêndio, deficiência de equipamentos, falta de apoio a brigadas voluntárias e fragilidade de ações preventivas. Ela citou como exemplo a indiferença de outras secretarias pelo assunto, destacando órgãos como Emater, IMA e DER e até mesmo a Copasa, cuja atuação está sempre a desejar. Diversas unidades de conservação não foram aceiradas em 2019, ação preventiva da maior importância. Há resistência histórica à construção de aceiros negros no IEF, apesar da prática já ser adotada pelo Ibama, ICMBio e instituições estaduais em todo o país, além de recomendada por pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

Na audiência, o diretor-geral do IEF, Antônio Malard, informou que o assunto será regulamentado apenas no próximo ano. “A inexplicável resistência a esta prática expõe as UCs estaduais a altíssimo risco de incêndios devastadores. Para algumas delas, principalmente as situadas no Espinhaço Meridional, a pergunta que se faz não é se vamos ser capazes de evitar incêndios, mas se vamos ser capazes de evitar incêndios catastróficos. Incêndios sempre acontecem, mas a grande dúvida é se conseguiremos controlá-los antes que assumam proporções gigantescas”, afirmou Francisco Mourão, biólogo da Amda.

A indiferença das prefeituras foi outro ponto levantado por Dalce na audiência. A maioria, mesmo aquelas que recebem ICMs Ecológico por abrigarem UCs em seus municípios, não aplicam recursos em ações de prevenção e combate às queimadas.

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