Pesquisas identificam microplásticos no gelo do Ártico

Pesquisadores coletam gelo do Ártico/Crédito: Mine Tekman - Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha

Foram encontradas mais de 10 mil partículas do material por litro de neve derretida

Novas amostras de gelo do Ártico indicam que a poluição plástica tem afetado até as zonas mais remotas do planeta. Ao analisar a neve que cai sobre as ilhas Svalbard, na parte ártica norueguesa, um grupo de pesquisadores alemães e franceses se deparou com milhares de fragmentos plásticos: mais de 10 mil por litro de neve derretida. A descoberta foi publicada na revista científica Science Advances.

Embora grande parte das partículas seja de origem natural – como celulose e pele de animais – os cientistas se surpreenderam com o grande volume de resíduos plásticos, restos de tinta, verniz, fibras sintéticas e pneus de borracha encontrados na neve. Alguns fragmentos eram tão pequenos que não foi possível identificar a procedência exata.

De acordo com especialistas, os fragmentos podem estar sendo levados pelo vento e transportados por longas distâncias pela atmosfera, de maneira que a poluição pode vir da Europa, Ásia ou qualquer outra localidade.

Para Melanie Bergmann, líder da pesquisa, precisamos ter mais cuidado sobre como estamos tratando o meio ambiente. "Temos que perguntar - precisamos de tantas embalagens plásticas? Precisamos de todos os polímeros nas tintas que usamos? Podemos criar pneus de carro com design diferenciado? Essas são questões importantes", declarou.

Plástico no gelo

Outra expedição, realizada por pesquisadores norte-americanos, também constatou a poluição por plástico no Ártico, alertando para presença do material no interior dos campos de gelo. Os especialistas encontraram fragmentos de plásticos até em Lancaster Sound, um trecho desconhecido do ártico canadense.

Para realização do estudo foram perfurados 18 núcleos de gelo de até dois metros de comprimento em quatro locais, sendo encontrados resíduos de vários tipos e tamanhos nas amostras.

Com espessura entre um e cinco milímetros, os microplásticos são provenientes de roupas, cosméticos e qualquer objeto de plástico que, ao ser descartado no ambiente, se fragmenta em minúsculas partículas. Pela espessura ultrafina, eles escorrem facilmente pelos ralos e acabam nos mares e cursos d’água, impactando diretamente os ecossistemas marinhos.

Das 8,3 bilhões de toneladas de plástico produzidas no mundo até 2015, cerca de 6,3 bilhões já foram descartadas. Desse montante, 79% estão acumulados em aterros ou ambientes naturais.

 

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