Igam apresenta resultados de monitoramento do rio Paraopeba após rompimento da barragem em Brumadinho

Marília Carvalho, diretora-geral do Igam, na Terça Ambiental / Crédito: Amda

Rejeitos foram carreados por 310 km, mas até o momento não há evidências que tenham atingido o rio São Francisco

Os rejeitos minerários provenientes do rompimento da barragem B1 da mineradora Vale, no complexo da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho, foram carreados por 310 quilômetros. Marília Carvalho de Melo, diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), apresentou os resultados obtidos até 17 de junho, quando contabilizou-se 144 dias de monitoramento da qualidade da água do rio Paraopeba após o rompimento. Ela foi a convidada da Amda para a Terça Ambiental de julho, realizada nesta terça-feira (02) no auditório do CREA.

A barragem rompeu-se em 25 de janeiro deste ano. No dia seguinte, o Igam deu início ao monitoramento da qualidade da água e sedimentos no rio Paraopeba com base em 18 parâmetros, como temperatura, oxigênio dissolvido, turbidez e pH da água e concentração de metais nos sedimentos. Inicialmente foram instalados 17 pontos de coleta, incluindo estações de monitoramento já existentes e outras emergenciais. Com o avançar das ações foram instalados outros cinco pontos pelo Igam, totalizando 22. Atualmente, o instituto opera 14 pontos.

Conforme explicou Melo, o parâmetro turbidez é importante para medir a quantidade de rejeitos na água. A Determinação Normativa (DN) n° 01 de 2008 determina que o limite de turbidez para Classe 2 é de 100 NTU (unidades de turbidez). Entre os dias 25/01 e 03/02, os maiores valores foram registrados no trecho mais próximo ao desastre. O índice verificado no dia seguinte ao rompimento foi o maior para o período: 34.500 NTU. Os valores de manganês também foram maiores no trecho mais próximo à barragem. No período de 26/01 a 03/02, os índices oscilaram entre 0,016 mg/L (em 02/02) e 46,27 mg/L (em 26/01). O limite estabelecido pela DN é de 0,1 mg/L.

De acordo com o levantamento, os valores mais elevados de manganês e turbidez foram constatados nos primeiros 40 km impactados pelos rejeitos. Melo esclareceu que podem ocorrer grandes oscilações ao longo do tempo devido às chuvas, que contribuem para a remobilização do material depositado no leito do rio ou novos aportes de rejeitos no rio Paraopeba em trechos a montante.

A diretora do Igam explicou que, diferentemente do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, que provocou uma avalanche de lama, os rejeitos de Brumadinho são mais secos, já que a mina estava desativada. Eles formaram uma massa seca, que represou e atualmente está no reservatório de Retiro Baixo. De acordo com Melo, até o momento não há evidências que a massa de rejeito tenha ultrapassado os limites do reservatório e atingido o lago de Três Marias e o São Francisco, porém não é possível afirmar que isso não pode acontecer.

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