Planeta perdeu metade de seus corais em 150 anos

Processo de branqueamento tira cor e vida dos corais

O branqueamento, decorrente do aquecimento das águas, é uma das maiores ameaças aos complexos recifais

Metade dos corais do mundo desapareceu ao longo dos últimos 150 anos, destacou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, durante comemoração dos 25 anos da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, ocorrida no último dia 17. Acredita-se que a pressão sobre os ecossistemas marinhos, impulsionada pelas mudanças do clima, poluição plástica, superexploração dos recursos pesqueiros e acidificação das águas, tenha relação direta com a extinção dos recifes.

O processo de branqueamento, decorrente do aquecimento das águas, é uma das maiores ameaças aos complexos recifais. Ele ocorre quando as algas que vivem em simbiose com o coral são expulsas pelo calor. Na ausência dessas plantas, que colorem e nutrem os organismos, os recifes tornam-se frágeis e suscetíveis a doenças.

Em 2018, o fenômeno foi cinco vezes mais intenso do que há 40 anos, segundo um grupo de cientistas. Um dos locais mais afetados é a Grande Barreira de Corais australiana, o maior conjunto de recifes do mundo. Centenas de quilômetros ao norte do ecossistema já foram classificados como mortos devido à grande elevação da temperatura em 2016.

O consenso era de que os recifes poderiam se recuperar caso a água voltasse a resfriar, mas recente pesquisa do Centro de Excelência para Estudos de Recifes, do Conselho de Investigação Australiano (ARC, sigla em inglês), indicou que os danos causados à Grande Barreira comprometeram sua capacidade de recuperação.

De acordo com o levantamento, o nascimento de novos indivíduos diminuiu em 89% após os corais adultos serem devastados em 2016 e 2017, anos em que os processos de branqueamento foram severos, em consequência à elevação recorde da temperatura global.

Os pesquisadores explicaram que, com a perda de indivíduos maduros, a produção de larvas – responsáveis por originar novos corais – foi comprometida, de modo que a Grande Barreia não conseguiu se reabastecer. Em comparação aos últimos 20 anos, o número de larvas produzidas foi reduzido em 93%.

“Em sistemas marinhos, a produção de larvas e o recrutamento de espécies funcionalmente importantes são processos fundamentais para a reconstrução de populações adultas desgastadas, mantendo a resiliência frente ao aumento das pressões ambientais”, indicou o estudo.

Para o coautor da pesquisa, Andrew Baird, o trabalho mostra que a capacidade de recuperação dos recifes está severamente comprometida pelo aquecimento global. Até agora já foram registrados quatro branqueamentos em massa: em 1998, 2002, 2016 e, por último, em 2017. A frequência e a intensidade, cada vez maiores, também dificultam o reestabelecimento das populações de corais.

Na visão dos pesquisadores, reduzir substancialmente as emissões de gases de efeito estufa é a melhor opção, visto que, dessa forma, estaria atingindo a raiz do aquecimento do planeta.

 

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