Desmatamento bate recorde na floresta Amazônica no mês de maio

Derrubada de árvores na Amazônia é mais comum no período seco

Apenas no mês 739 km² foram destruídos, sendo a taxa de desmate mais acelerada em uma década

A derrubada da floresta Amazônica bateu novo recorde em maio deste ano, sendo 34% maior que o mesmo período de 2018. A rápida ascensão do desmate fez com que o Deter, sistema de monitoramento por satélites, alertasse para a maior velocidade da perda florestal em uma década. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Ao todo foram perdidos 739 km² do bioma no mês passado, contra os 550 km² desmatados em maio de 2018. O aumento exponencial é ligado aos madeireiros que, além de estarem motivados pela flexibilização das leis ambientais promovidas pelo governo Bolsonaro, costumam derrubar árvores nesta época do ano devido ao fim da estação chuvosa.

Ambientalistas temem que os números aumentem ainda mais ao longo da estação seca, não só pela ação premeditada dos madeireiros, mas também pelo enfraquecimento das ações do Ibama, principal órgão fiscalizador. Levantamento realizado pelo Observatório do Clima indicou que o número de multas aplicadas pela autarquia foi o menor em 11 anos. Com ação semelhante, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) não fez nenhuma ação fiscalizatória na Amazônia em abril.

Xingu

Outros sistemas, como o boletim Sirad X, que monitora o desmatamento na bacia do rio Xingu, indicam que o cenário de destruição se estende por várias partes do bioma amazônico. Somente na bacia, ao menos 13 milhões de árvores foram derrubadas ilegalmente entre os meses de março e abril deste ano. Nesse período, o desmatamento atingiu 21.495 hectares (ha), superando as estimativas de janeiro e fevereiro.

Aproximadamente dois terços das terras desmatadas estavam no lado mato-grossense da bacia e, a maior parte, em propriedades privadas. Outro número que assusta é o percentual de desmatamento ilegal no estado: quase 80% do desmate não era autorizado.

Já no Pará, o maior índice de desmate foi verificado em unidades de conservação (UCs) e terras indígenas (TIs), cerca de 55%, sendo 634 ha em TIs e 3.552 ha em UCs. Em comparação aos primeiros meses do ano, a derrubada de árvores em territórios indígenas subiu 32% no segundo bimestre. Os garimpos ilegais são apontados como a principal causa da elevação.

“O alto percentual de desmatamento ilícito expressa a ineficácia dos instrumentos existentes de combate ao crime ambiental. Esse quadro pode piorar com a chegada da estação da seca, quando os números de desmatamento tendem a crescer”, alertou Ricardo Abad, especialista em sensoriamento remoto do Instituto Socioambiental (ISA).

Em áreas protegidas, março registrou crescimento de 461% do desmatamento ante o mês anterior, segundo o boletim. Apenas na Floresta Nacional de Altamira, gerida pelo ICMBio, houve alta de 550% da derrubada florestal em abril.

Na análise de municípios, Feliz Natal e União do Sul, no Mato Grosso, bem como Altamira e São Félix do Xingu, no Pará, foram responsáveis por 45% do total desmatado em toda a bacia no período analisado. Em Feliz Natal a área destruída foi a maior: mais de 2,3 mil hectares, sendo apenas 757 ha autorizados.

A maior preocupação é com municípios em que 100% do desmate é ilegal, como é o caso de Canarana, Cláudia, Gaúcha do Norte, Peixoto de Azevedo e Querência, todos no Mato Grosso.

 

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