Países africanos incentivam caça de animais selvagens

Elefante abatido em Dzanga-Sangha National Park /Crédito: The Associated Press

 Botsuana liberou a caça de elefantes, enquanto Zimbábue permitiu o abate de búfalos com arco e flecha

Na mesma semana em que Botsuana voltou a liberar a caça de elefantes, após cinco anos de proibição, o Zimbábue – também na África – anunciou novo incentivo ao mercado da caça esportiva: a liberação do arco e flecha para o abate de búfalos. As decisões foram repudiadas por ambientalistas.

Em Botsuana, os elefantes eram protegidos desde 2014 por decisão do ex-presidente conservacionista Ian Khama. Mas o novo governo, liderado pelo presidente Mokgweetsi Masisi, decidiu liberar a matança dos animais com o pretexto de que as populações atingiram níveis incontroláveis, prejudicando agricultores e produtores locais.

Grupos conservacionistas temem, no entanto, que a decisão tenha outras intenções, como reaquecer o comércio de marfim na região. A investida poderia ser desastrosa para a espécie, visto que Botsuana abriga a maior população de elefantes da África, estimada em 135 mil indivíduos selvagens. Países próximos, com legislações menos rígidas, também poderiam se tornar alvo de caçadores.

O comércio internacional de presas de elefantes é proibido desde 1989 pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES). Entretanto, a determinação não freou totalmente o contrabando do marfim, cuja obtenção é responsável por dizimar a espécie, já fragilizada pela caça.

Estudos indicam que entre 2002 e 2011 a população mundial de elefantes foi reduzida em 62%. A caça ilegal provocou uma diminuição de 110.000 exemplares em dez anos, chegando a 415.000 segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Por isso, mesmo que as populações tenham crescido, a liberação da caça esportiva pode abrir brecha para caçadores ilegais e contrabandistas de marfim.

Zimbábue

No Zimbábue, o uso do arco e flecha na caça de búfalos será, de acordo com autoridades locais, um mecanismo para atrair turistas e movimentar a economia local. O argumento é de que, com a atração de capital por meio da caça esportiva, o governo poderá investir na proteção da fauna e gerar empregos. Extremamente controversa, a justificativa se baseia em matar animais para preservá-los.

Estima-se que o país abriga milhares de búfalos em seu território. Eles serão utilizados para atrair turistas dos Estados Unidos, Europa e África do Sul em busca de troféus de caça. Além dos ruminantes, elefantes também são utilizados para movimentar a economia nacional. No início do ano, o governo do país anunciou ter vendido cerca de 100 elefantes para China e Dubai – nos Emirados Árabes – nos últimos seis anos, rendendo ao país US$ 2,7 milhões.

 

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