Colônia de pinguins-imperadores desaparece na Antártica após plataforma de gelo ruir

Pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri)

Grupo era um dos maiores da região, abrigando entre 14 e 25 mil casais

A colônia de pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri) de Halley Bay, que vivia às margens do Mar de Weddell, na Antártida, desapareceu e milhares de filhotes morreram após a prateleira de gelo Brunt ser comprometida por condições climáticas extremas. O incidente ocorreu em 2016, mas só agora foi divulgado por cientistas da British Antarctic Survey (BAS) em estudo publicado no periódico Antarctic Science.

A descoberta é atribuída aos pesquisadores Peter Fretwell e Phil Trathan que, desde 2009, monitoram pinguins e outros grupos de aves na região por meio de imagens de satélite em alta resolução. Os pesquisadores associam o desaparecimento da colônia ao fracasso reprodutivo, já que os pinguins necessitam do gelo marinho sólido durante a maior parte do ano para se acasalarem e criarem seus filhotes.

Nos últimos 60 anos, as condições do gelo marinho em Halley Bay foram estáveis e as aves conseguiram sobreviver no local. Mas desde 2015 as tempestades provocadas pelo intenso El Niño – fenômeno em que as águas do Oceano Pacífico se aquecem – foram enfraquecendo a prateleira de Brunt. Consequentemente, o gelo do mar se rompeu em 2016, antes do esperado, e os filhotes, que ainda não tinham condição de nadar, morreram afogados.

Com a deterioração da camada de gelo, o fracasso reprodutivo se repetiu em 2017 e novamente em 2018. Situada ao norte da plataforma de Brunt, a colônia de Halley Bay era uma das maiores da Antártica, perdendo apenas para o grupo da Ilha Coulman, no Mar de Ross. Estima-se que ela abrigava entre 5 a 9% de toda população global da espécie, o mesmo que 14 a 25 mil casais.

De acordo com o levantamento, enquanto a colônia de Halley Bay desapareceu, a de Dawson Lambton – a 55 quilômetros de distância – aumentou cerca de 10 vezes, mostrando que muitos indivíduos adultos se refugiaram no grupo vizinho em busca de melhores locais de reprodução.

Entretanto, a migração dos pinguins para locais mais férteis não significa que as populações vão se recuperar, considerando a forma como o gelo marinho se altera com as mudanças do clima. Os cenários estimados pela pesquisa sugerem que a população de pinguins-imperadores pode cair entre 50 e 70% até o final do século.

Desde 2016 os cientistas estudam as causas do fenômeno e ainda não está claro o que o motivou, apesar do acontecimento evidenciar a vulnerabilidade da Antártica perante o aquecimento do planeta. “É impossível dizer se as mudanças nas condições do gelo marinho na Baía de Halley estão especificamente relacionadas à mudança climática, mas uma falha tão completa em se reproduzir com sucesso é inédita neste local”, declarou Phil Trathan, coautor estudo.

 

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