Censo de aves limícolas é realizado na América do Sul

Maçaricos-pernilongos habitam lagoas, estuários, praias, manguezais, arrozais e banhados

Contagem foi feita durante chegada das espécies migrantes à costa dos países sul-americanos 

No auge do verão, visitantes ilustres chegam às zonas austrais da América do Sul: as aves limícolas migratórias. Após longas viagens, elas encontram nos litorais do Brasil, Peru, Chile, Argentina e Uruguai habitats propícios para reposição energética e mudança de plumagem. Mais intenso entre os meses de dezembro e janeiro, o fenômeno faz parte do ciclo anual das aves migratórias, que partem de seus sítios de reprodução para os de invernada. É o momento em que as espécies viajantes se juntam com as variedades residentes do cone sul.

Com intuito de estudar a ecologia e comportamento da classe, pesquisadores sul-americanos realizaram em janeiro o 1º Censo Simultâneo de Aves Limícolas do Cone Sul. Liderada pela Save Brasil, as contagens no país se concentraram nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde fica a maior parte dos animais.

A ideia é que, por meio do senso simultâneo, seja possível estimar  as populações globais das variedades limícolas, bem como identificar seus habitats críticos de alimentação e descanso. O gradiente de concentração ao longo da costa permite ainda prever  tendências populacionais das espécies e verificar aquelas que estão em declínio. 

“O censo é feito por meio da observação com binóculos e lunetas e contagem dos indivíduos. Todos os dados serão inseridos no aplicativo eBird, plataforma de ciência cidadã”, explicou Juliana Almeida, coordenadora da iniciativa no Brasil. Após as medições, os dados coletados em campo ainda serão analisados e publicados em uma revista científica.

Saldo

Dentre os resultados positivos do levantamento está o grande número de maçaricos-pernilongos (Himantopus melanurus) e curicacas (Theristicus caudatus) encontrados na costa brasileira. Considerada uma espécie rara, a capororoca (Coscoroba coscoroba) foi outra espécie que surpreendeu com sua aparição.

Por outro lado, ameaças às aves também foram observadas nas zonas costeiras, como o acúmulo de lixo nas dunas – utilizadas como área de nidificação – e o tráfego constante de veículos. Além do risco de atropelamento, os carros colocam em perigo organismos que vivem na areia e são fontes de alimento para muitas espécies praieiras.

Aves limícolas

O termo ‘limícola’ deriva de limus (lodo em latim) e faz alusão ao hábito que essas aves possuem de comer pequenos invertebrados presentes no lodo. Maçaricos, batuíras e pernilongos fazem parte das famílias mais comuns no Brasil. Elas podem ser encontradas em praias e zonas de águas salgadas, salobres ou doces.

Das 47 espécies limícolas que ocorrem no Brasil, 13 são residentes, quatro migrantes do cone-sul e 30 migrantes do hemisfério Norte. A distância anual percorrida em suas migrações pode exceder os 30 mil quilômetros. Devido à característica migratória, possuem papel importante na natureza atuando como elo entre os ecossistemas.

De acordo com a Save Brasil,  13 espécies limícolas estão ameaçadas de extinção no Brasil hoje, incluindo a batuíra-bicuda (Charadrius wilsonia), vira-pedras (Arenaria interpres) e piru-piru (Haematopus palliatus). O caso do maçarico-esquimó (Numenius borealis), outrora abundante nas Américas, é extremamente preocupante, pois já foi considerado regionalmente extinto no país.

O maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus) também sofreu grande declínio populacional, sendo classificado como “criticamente em perigo” pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Os motivos são a diminuição na disponibilidade de alimento na Baía de Delaware, nos Estados Unidos, e a degradação do habitat costeiro no Brasil.  

 

Com informações de G1

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