Plantações de coca crescem na Bolívia e ameaçam abelhas

Plantação de coca na Colômbia, maior produtora da erva /Crédito: Jaime Saldarriaga/Reuters

Os cultivos da erva exigem grandes quantidades de pesticidas, responsáveis por matar e desorientar os insetos 

As abelhas estão morrendo mais rápido na Bolívia devido ao uso maciço de pesticidas nas plantações de coca, denunciaram ambientalistas e apicultores locais. O uso das substâncias tóxicas sobe lado a lado das plantações da erva, cada vez mais extensas no país. Segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em 2017 os cultivos já cobriam mais 24 mil hectares do território boliviano.

René Villca, apicultor da cidade de Coroico - localizada ao noroeste de La Paz - relatou que dez das vinte colmeias que possui não têm produzido normalmente, indicando um déficit no número de indivíduos. Segundo ele, os insetos que entram em contato com os pesticidas lançados nos campos, morrem ou não conseguem voltar para casa.

Os produtos tóxicos estão presentes em várias culturas, mas nas plantações de coca eles precisam estar em grandes quantidades para que a colheita seja rentável. De acordo com os agricultores locais, na ausência dos produtos, insetos e fungos devastam as folhas, trazendo grandes prejuízos econômicos.

Considerada a terceira maior produtora de coca do mundo, a Bolívia perdeu boa parte de sua cobertura florestal para dar lugar aos cultivos da erva. Com os ecossistemas devastados, as espécies nativas da fauna e flora foram perdendo espaço e dando lugar às pragas.

"Uma monocultura (cultivo de uma única espécie) é mais atacada por pragas de insetos ou fungos porque não existe mais a cobertura vegetal nativa e não há mais controladores naturais. Então se utiliza mais pesticidas e em maiores concentrações”, explicou Miguel Limachi, entomologista da Universidad Mayor de San Andrés, indicando o círculo vicioso entre a conversão de floresta em cultivo e aumento do uso de agrotóxicos.

Risco 

Diversos  estudos alertam para o uso de agrotóxicos e seu impacto sobre as abelhas, por isso em muitos locais susbtâncias mais nocivas já foram banidas. Utilizados para revestir sementes ou proteger plantas de pragas, esses produtos contaminam o pólen e néctar do vegetal, afetando diretamente os insetos polinizadores.

Em contato com o sistema nervoso e digestório das abelhas, os pesticidas desestabilizam voos e deslocamentos. Quando não morrem intoxicadas, elas perdem o caminho de volta, deixando a colmeia vazia. Em casos mais graves, não conseguem se alimentar e morrem por inanição.

Roberto Carlos Alves, apicultor, Técnico Agrícola, Mestre em Gestão da Produção de Mel e Doutorando em Ciência Animal, destaca que os agrotóxicos são responsáveis pelo desaparecimento de abelhas em diversas regiões do planeta, incluindo regiões onde os compostos não são utilizados. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, houve uma redução de 3,5 milhões de colmeias nos Estados Unidos entre 1950 e 2007.

O alerta para conservação é essencial. Afinal, em um mundo sem abelhas, a humanidade não ficará apenas sem mel, cera e flores; correrá o risco de ficar sem comida. De acordo com a organização WWF-Brasil, os insetos são responsáveis pela polinização de mais de 70 das 100 espécies vegetais que fornecem 90% dos alimentos consumidos no planeta.

 

Leia na íntegra entrevista com Roberto Carlos Alves, sobre a importância das abelhas para o equilíbrio ambiental.

Com informações da AFP.

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