Mais de mil espécies de animais correm risco de extinção no Brasil

Muriqui-do-norte é classificado como "criticamente em perigo"/Crédito: Peter Schoen/ Flickr

De acordo com o Livro Vermelho da Fauna 2018, metade das espécies ameaçadas está na Mata Atlântica e 38,5% são endêmicas do bioma

Dono de uma das maiores riquezas naturais do planeta, o Brasil é lar de mais de 117 mil variedades de animais, entre mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis e invertebrados. Só de insetos já foram catalogados aproximadamente 83 mil. Entretanto, 1.173 espécies da fauna encontram-se em vias de extinção e outras 318, apesar de não correrem risco eminente, também estão suscetíveis ao desaparecimento.

As conclusões são de um grupo de mais de mil cientistas que se reuniram para a elaboração do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018, divulgado no dia 25. Sob coordenação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os especialistas analisaram mais de 12 mil espécies.

Pela primeira vez, a publicação analisou todos os vertebrados com ocorrência no país, sendo 732 mamíferos, 1.979 aves, 732 répteis, 973 anfíbios e 4.506 peixes. Em comparação com a versão de 2008, 716 táxons entraram para a lista das espécies ameaçadas, enquanto 170 deixaram o status de extremo perigo em que se encontravam.

A baleia-jubarte, por exemplo, foi classificada como “quase ameaçada” graças à interrupção de sua caça no Brasil em 1987, que permitiu o reestabelecimento das populações ao longo dos anos. Já a significativa melhora no status da arara-azul-grande foi motivada pela redução de sua caça e tráfico. O peixe-grama também teve sua captura proibida, propiciando um aumento em seu contigente populacional.

Outros quatro animais, listados como extintos no livro de 2003, reaparecem agora em outras categorias. São eles: minhocuçu, minhoca-branca, uma espécie de formiga (Simopelta mínima) e uma de libélula (Fluminagrion taxaense).

Saldo negativo

Apesar dos ganhos, os pesquisadores evidenciaram que poucas espécies deixaram as categorias de ameaça desde as primeiras edições da publicação. No levantamento de 1963, por exemplo, constavam 44 espécies ameaçadas (entre animais e plantas), das quais 30 ainda estão em estado de alerta.

Rato-de-noronha, tubarão-lagarto e limpa-folha-do-nordeste estão entre os dez animais considerados extintos, seja em nível global ou nacional. “Alguns desapareceram séculos atrás, enquanto outros foram extintos mais recentemente. As causas das extinções recentes são bem conhecidas, mas pouco se sabe sobre o que causou o declínio das espécies extintas há mais de 100 anos”, indicou o estudo.

Na classificação por grupos taxonômicos, a classe que gerou maior preocupação foi a dos peixes cartilaginosos, detentores da maior proporção de táxons ameaçados (36,9%), dos quais 100 são classificados como "criticamente em perigo". No caso dos mamíferos, 15% estão ameaçados; seguidos das aves, como 11,9% de suas espécies ameaçadas; e anfíbios, com 11,6% das variedades em risco.

Biomas

De acordo com o estudo, a Amazônia é o bioma com maior riqueza de espécies da fauna, seguida da Mata Atlântica e do Cerrado. Em relação à quantidade de animais ameaçados, a Mata Atlântica vence. Mais da metade dos bichos em vias de extinção no Brasil estão na região e 38,5% são endêmicos do bioma. As alterações ambientais decorrentes das atividades agropecuárias são apontadas como as maiores ameaças para a fauna do lugar.

“Embora na maior parte do bioma essas atividades já se encontrem consolidadas, havendo pouca perda de habitat recente, as consequências dessa redução histórica de habitat ainda afetam as espécies. A segunda maior pressão na Mata Atlântica é decorrente da expansão urbana, resultado da concentração de grande parte da população do Brasil nos maiores centros urbanos do país. Essas duas pressões afetam todos os grupos taxonômicos, tanto no ambiente terrestre como no aquático”, pontuou o levantamento.

Para as espécies que ocorrem na Amazônia, as grandes pressões sobre o ambiente vêm das hidrelétricas – que afetam principalmente os peixes e mamíferos aquáticos –, além da agropecuária. Cada uma das atividades prejudica mais de 90 espécies existentes no bioma.

Na Caatinga e no Cerrado, o agronegócio apresenta especial impacto, pois estimula a conversão da vegetação em áreas de cultivo ou em pastagens. Estima-se que em 2012, o Cerrado possuía apenas 51% de vegetação primária nativa, devido à conversão do bioma em monocultura de soja e em áreas de criação de animais. 

 

Com informações do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018.

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