Gisele Bündchen contesta declarações de Ministra da Agricultura

Gisele Bündchen durante assembléia das Nações Unidas/Crédito:ONU

Imbróglio começou quando Tereza Cristina criticou ativismo ambiental da modelo

A modelo e ativista ambiental Gisele Bündchen utilizou sua conta na rede social Twitter para rebater as críticas da Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, questionando seu conhecimento sobre os esforços do Brasil destinados à preservação da natureza. A celebridade internacional se declarou surpresa ao ver seu nome mencionado de forma negativa por defender e se manifestar em favor do meio ambiente.

A ministra, ex-líder da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), chegou a dizer que Bündchen se enquadrava no rol dos ‘maus brasileiros’ que difamam o setor agropecuário nacional no exterior vendendo uma imagem que não é verdadeira. Acrescentou ainda que a modelo não deveria dizer que o país é desmatador, por exemplo, sem conhecer a realidade.

“Em lugar nenhum do mundo tem uma lei florestal como a nossa, nenhum, o Código Florestal. Inclusive, desculpe, Gisele Bündchen, você deveria ser a nossa embaixadora, dizer que o seu país preserva, que o seu país está na vanguarda do mundo da preservação e não vir aqui meter o pau no Brasil sem conhecimento de causa”, afirmou a ministra em entrevista à rádio Jovem Pan.

Após as declarações polêmicas, Tereza Cristina, em tom mais ameno, postou em seu perfil no Twitter convite à ativista para ser embaixadora do Brasil e mostrar que o país produz alimentos para o mundo preservando a natureza. “A modelo vai receber, em breve, convite nosso”, declarou.

Gisele, que não respondeu ao convite da ministra, publicou texto em sua rede social reafirmando sua trajetória em defesa do meio ambiente e evidenciando o conhecimento adquirido, desde 2006, em projetos socioambientais, leituras e contatos com especialistas dos setores ambiental e agrícola.

Para além do universo das redes, a top model escreveu uma carta para a ministra afirmando que preza muito o papel que a agricultura e os agricultores têm para o país, mas acredita que a produção agropecuária e a conservação ambiental precisam andar juntas. Ainda alfinetou ao dizer que quem desmata é que são ‘maus brasileiros’.

“A Senhora mencionou a grande quantidade de áreas protegidas no Brasil. Lamento, no entanto, ver notícias, como a do final do ano de 2018, com dados do Governo Federal divulgados amplamente na imprensa, que o desmatamento na Amazônia havia crescido mais de 13%, o que representava a pior marca em 10 anos. Um patrimônio inestimável ameaçado pelo desmatamento ilegal e a grilagem de terras públicas. Estes sim são os maus brasileiros”, destacou.

Para Dalce Ricas, superintendente da Amda, a ministra é quem deveria conhecer melhor o Brasil e refletir sobre o 'lado mau' da agropecuária sobre o meio ambiente. "Dizer que o país tem áreas protegidas demais virou ladainha tendenciosa e falsa. Os ruralistas esquecem ou não sabem que terras indígenas são dos índios. Muito antes, aliás, dos 'brancos' aparecerem por aqui. Pode parecer absurdo para muitos, mas índios mesmo tendo costumes diferentes dos nossos são gente como nós. Da mesma forma que os negros escravizados durante séculos, sob princípio de que eram inferiores. Não estamos 'dando' terras aos índios. Ao contrário, estamos invadindo o que é deles”, afirmou.

“A ministra e seus pares medem o percentual de unidades de conservação por tamanho. Grilagem, desmatamentos e invasões nas unidades de conservação não lhes interessam. Veem as florestas como estoque de terras e madeira. Não conseguem ou não querem saber dos seres vivos que nelas habitam", concluiu a superintendente da Amda.

 

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