Degelo na Groenlândia é o maior em 350 anos

Água proviniente do degelo escoando para o oceano./Crédito:Sarah Das, Woods Hole Oceanographic.

Pesquisadores ressaltam como padrão de descongelamento é totalmente incomum na história da região

 O derretimento do manto de gelo da Groelândia, apontado como principal causador do aumento do nível do mar, atingiu o maior índice dos últimos 350 anos, indicou um grupo de cientistas em artigo publicado na revista Nature, no final de 2018. Os pesquisadores relacionaram o degelo do manto com o início das alterações na atmosfera em meados do século XIX, impulsionadas pela crescente emissão de gases poluentes.

De acordo com Sarah Das, glaciologista do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI) e co-autora do estudo, o escoamento de água provocado pelo degelo dobrou desde o início da era industrial e subiu 30% em comparação ao século passado. Estima-se que o volume de água proveniente do descongelamento possa ter chegado a níveis inéditos, não registrados em milênios.

Em 2012 o derretimento atingiu seu ápice, provocando o escoamento de quantidades exorbitantes de água no oceano, equivalente a 240 milhões de piscinas olímpicas. O levantamento aponta que, no ritmo atual, o nível do mar deve subir cada vez mais rápido.

Outro ponto observado pelos pesquisadores é que a Groelândia encontra-se extremamente sensível às mudanças climáticas. Ao avaliar a resposta do local às transformações do clima ocorridas no passado, eles observaram que o ecossistema da região sofre mais com novos aumentos de temperatura do que há 50 anos, de maneira que pouco aquecimento adicional gera grandes derretimentos.

“A resposta da camada de gelo ao aquecimento causado pelo homem não foi linear", indicou Das, corroborando com o posicionamento dos demais autores da pesquisa, que afirmam que as informações reveladas mostram como o rápido degelo observado nas últimas décadas está fora da normalidade e do padrão histórico da região.

Metodologia

A elaboração do estudo exigiu a realização de uma série de análises, iniciadas em 2014. Em um primeiro momento, os cientistas perfuraram geleiras de até 140 metros de comprimento para depois comparar os dados obtidos com informações históricas. Foram retiradas amostras de gelo em locais de mais de 2 mil metros acima do nível do mar. As escavações foram importantes para entender os níveis de degelo de épocas remotas e também de datas mais recentes. Informações e imagens colhidas via satélite também foram essenciais para obtenção dos resultados.

 

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