Brasil possui mais de 18 mil cavernas registradas

Parque Cavernas do Peruaçu, localizado ao norte de Minas Gerais / Crédito: Fernando Tatagiba

Minas Gerais lidera o ranking de estados com mais cavidades, totalizando 7.622

O Brasil possui 18.358 cavernas, de acordo com o primeiro Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico Brasileiro. O material foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O Cecav registra as cavidades naturais subterrâneas por meio do Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas (Canie). O Canie armazena e disponibiliza dados essenciais para gestão do patrimônio espeleológico brasileiro, como informações sobre área protegida, atividade antrópica, hidrologia, microbiologia, paleoclima, vestígios arqueológicos, paleontológicos e histórico-culturais.

Informações do Canie mostram a evolução dos registros de cavernas. Em 2006, na primeira edição da Base Cecav, o país tinha 4.448 cavernas cadastradas. Em 12 anos, foram identificadas outras 13.910 cavidades, alcançando 18.358 no final do ano passado. Segundo Jocy Cruz, coordenador do Cecav, o registro cresceu com o Decreto 6.640/2008. "Isso fez com que empreendimentos potencialmente impactantes ao patrimônio espeleológico realizassem estudos espeleológicos no âmbito do licenciamento ambiental. Quase que triplicou o número de cavernas conhecidas, saímos de 6.280, em 2009, para 18.358 em 2018", explicou.

O anuário apresenta uma classificação dos estados brasileiros com maior índice de cavernas registradas. Minas Gerais lidera o ranking, com 7.622. Em segundo lugar está o Pará, com 2.630 cavidades, seguido pela Bahia, com 1.367, e Rio Grande do Norte, com 1.047 cavernas. Por enquanto, o único estado que não apresenta nenhum cadastro é o Acre.

Na classificação por biomas, o levantamento aponta que 50% (9.177) das cavernas conhecidas no Brasil estão situadas no Cerrado. A Mata Atlântica aparece em segundo lugar, com 3.539 (19%), seguida pela Amazônia, com 15,8%, correspondendo a 2.892 cavernas. Já o Pampa e Pantanal abrigam menos de 1%, com 59 e 16 cavernas, respectivamente.

O anuário também apresenta uma análise da distribuição de cavernas em um contexto geoespacial. A bacia do Rio São Francisco, por exemplo, abriga 6.995 cavernas, enquanto na bacia do Tocantins estão 4.531. Juntas, elas correspondem a 63% das cavidades naturais existentes na base de dados.

Pesquisadores ainda cruzaram dados de ocorrência de cavernas do Canie com dados de unidades de conservação (UC) compilados pelo Cecav. Entre as 2.644 UC registradas, apenas 215 delas (8%) abrigam 6.380 cavernas. Das cavidades localizadas dentro de UCs, 54% encontram-se em unidades classificadas como de Uso Sustentável e 46% em Proteção Integral.

O que são cavernas?

Parte-se do princípio de que qualquer cavidade subterrânea natural que tenha penetração humana seja uma caverna. Uma cavidade formada naturalmente em que o ser humano pode entrar a partir de cinco metros já pode ser considerada uma caverna. Os principais fatores que influenciam na formação de uma caverna são a água, o tipo de rocha, a estrutura da rocha e o clima. Por ser um grande espaço vazio dentro da rocha, muitas cavernas tem ou já tiveram rios.

As maiores e mais conhecidas são formadas na rocha de calcário, mineral que possui uma estrutura química e física que permite a formação de grandes vazios. Por isso, ele tem tem maior probabilidade de formação de uma caverna, como, por exemplo, no Vale do Ribeira, na Chapada Diamantina; em Bonito, no Mato Grosso do Sul; ou também em Goiás e Minas. Existem ainda outros tipos de cavernas em minério de ferro e arenito.

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