Aquecimento global causa desaparecimento das renas

Renas e caribus são da mesma espécie, mas de subespécies diferentes.

População caiu mais da metade nas últimas duas décadas devido às mudanças climáticas 

Renas selvagens e caribus estão desaparecendo do Ártico. O principal motivo é a mudança do clima, segundo boletim divulgado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA). Estima-se que as populações - distribuídas entre Rússia, Noruega, América do Norte e Groelândia - diminuíram 56% nas últimas duas décadas, passando de 4,7 milhões para 2,1 milhões de animais. Em cinco rebanhos da região do Alasca-Canadá, o declínio é ainda maior, chegando a 90%.

De acordo com os cientistas, os rebanhos da rena e de sua subespécie, o caribu, têm apresentado oscilações anormais. Três grupos do Alasca, por exemplo, perderam mais da metade de seus integrantes em 2017 após registrarem grande crescimento em 2003 e 2010. Em outras manadas, o contingente populacional é menor desde o início dos registros.

O aquecimento global tem sido apontado como o grande causador do fenômeno. Isto por que a elevação da temperatura modifica toda a dinâmica do ecossistema, de modo que as estações secas se tornam mais extensas, alterando a vegetação local e aumentando a ocorrência de insetos e parasitas. Os animais, totalmente adaptados ao frio, ainda padecem com o estresse térmico.

Para Howard Epstein, cientista ambiental da Universidade da Virgínia e integrante da equipe que desenvolveu o estudo, o aquecimento na região não mostrou sinais de arrefecimento. "Nós vemos um aumento da seca em algumas áreas devido ao aquecimento do clima, e o aquecimento em si leva a uma mudança de vegetação”, explicou.

Dentre as modificações na flora local está a perda massiva do líquen. Integrante da dieta do caribu, a variedade está, pouco a pouco, dando lugar à vegetação de maior porte. Outro fator prejudicial aos mamíferos da tundra, ligado à mudança do clima, é o aumento das chuvas no Ártico. A água que cai sobre o solo propicia a formação de densas camadas de gelo que, por sua vez, cobrem as pastagens e impedem que os animais se alimentem.

A proliferação de doenças também preocupa os especialistas. “Precisamos estar cientes dos efeitos imprevistos das mudanças climáticas nas doenças infecciosas em populações selvagens. Por exemplo, o aquecimento da primavera e do verão tem o potencial de desencadear mortes inesperadas. Esse fenômeno foi observado quando, em junho de 2015, um surto matou mais de 200 mil antílopes”, indicou o relatório.

O levantamento ainda ressalta que a elevação da temperatura configura-se como mais um fator de ameaça aos animais, que já sofrem com a construção de estradas e empreendimentos industriais, responsáveis pela mudança na paisagem.

Impactos

É importante destacar que caribus e renas selvagens são espécies chaves na cadeia alimentar ártica. Elas contribuem para o ciclo de nutrientes entre sistemas terrestres e aquáticos, portanto seu desaparecimento poderia trazer grandes danos à biodiversidade.

Para reverter o cenário, pesquisadores indicam a necessidade de redução na emissão de dióxido de carbono (CO2), considerando sua contribuição para as mudanças climáticas. Mas, para eles, o aquecimento do Ártico já é uma realidade, sendo difícil impedi-lo. Por isso, a estratégia agora é entender as transformações do clima e traçar medidas para conservação dos ecossistemas.

 

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