Emissões de dióxido de carbono têm alta em 2017 e 2018

Para pesquisadores, a retomada do uso do carvão é dos fatores que mais interferiu no aumento das emissões

Aumentos vieram após três anos de estagnação, entre 2014 e 2016

 A indústria e o setor energético registraram a maior alta nas emissões de dióxido de carbono (CO2) dos últimos sete anos. A informação é do balanço anual do Global Carbon Project, publicado nesta quarta-feira (5) durante a 24º Conferência do Clima da ONU (COP24), realizada em Katowice, Polônia. Mais de 70 cientistas de 15 países se uniram na elaboração do estudo.

A previsão dos pesquisadores é que as emissões provenientes da queima de combustíveis fósseis – como carvão, petróleo e gás natural – e das atividades industriais cresçam 2,7% em relação ao ano passado, que também registou alta de 1,6% após três anos de estagnação nas emissões globais.

Os autores mostram, contudo, que é possível reverter o quadro até 2020, desde que haja cortes nas emissões da indústria, agricultura e do setor de transportes. Países como China, Estados Unidos, Índia e União Europeia são vitais nessa mudança, visto que compreendem 60% das emissões globais.

Na China e Índia, o fator econômico foi o grande impulsionador das emissões. À medida que os países cresceram, aumentou-se consideravelmente a queima de carvão, consumo de gás e uso de petróleo para transporte. Só na Índia as emissões estão crescendo 6,3%, enquanto na China, maior emissora do mundo, o aumento gira em torno de 4,7%.

Nos Estados Unidos, segundo maior poluidor mundial, parte do gasto energético foi proveniente dos invernos rigorosos e verões escaldantes, que aumentaram a demanda por aquecedores e ares-condicionados. O crescimento das emissões no país foi de 2,5%. Na UE, os números retrocederam 0,7%, mas é preciso diminuir ainda mais, de acordo com o estudo.

Alta em 2017

Em relação às emissões globais de todos os setores, 2017 superou os últimos anos e emitiu 53,5 gigatoneladas de carbono equivalente, aumento de 0,7 em comparação a 2016. Estima-se que, no ritmo atual, a temperatura suba ao menos 3°C até o fim do século e continue a subir nos próximos anos. As conclusões são do Relatório Global de Emissões 2018 da ONU Meio Ambiente, divulgado no último dia 27.

Diante do prognóstico, cientistas sugerem que os países tripliquem seus esforços para conter o aumento da temperatura a 2°C até 2030 e quintupliquem suas ações mitigadoras para limitar o aquecimento do planeta a 1,5°C, como ambiciona o Acordo de Paris. O documento destaca ainda que, para frear o aquecimento do planeta, é preciso reduzir de 25 a 55% as emissões globais de gases efeito estufa (GEE’s) nos próximos 12 anos.

O relatório das Nações Unidas avaliou o que cada país está fazendo para cumprir os objetivos do Acordo de Pais, firmado em 2015. O resultado foi que apenas 57 países, responsáveis por 60% das emissões globais, estão no caminho para atingir a meta em 2030.

Foram levadas em conta as metas especificas de cada nação, que elas mesmas estipularam de acordo com sua realidade. O governo brasileiro, por exemplo, ratificou meta que prevê redução de 37% das emissões em 20 anos partindo de 2005, ano em que o país emitiu cerca de 2 bilhões de toneladas de CO2. Até 2030, o objetivo é reduzir as emissões em 43%.

Para atingir os objetivos traçados, o país se comprometeu com uma série de ações, como: restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, aumentar em 18% a participação da bioenergia sustentável na matriz energética e fazer com que aproximadamente 45% da matriz de energia sejam compostas por fontes renováveis até 2030.

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