Um quinto dos guepardos selvagens do mundo pode estar à venda na internet

Predador nato, o guepardo prefere caçar suas presas em corridas de alta velocidade.

Estima-se que população do felino caiu de 100 mil indivíduos para cerca de 7 mil em um século

Uma análise realizada pelo Fundo de Conservação para os Guepardos (CCF, na sigla em inglês) mostrou que o mamífero mais rápido do mundo está em apuros. Além do grande declínio populacional, que o coloca em vias de extinção, o guepardo (Acinonyx jubatus) é vítima do comércio ilegal em aplicativos e redes sociais.

De acordo a CCF, entre fevereiro de 2012 e julho deste ano, 1.367 guepardos foram postos à venda em 906 postagens nas mídias sociais, o que representa aproximadamente um quinto (20%) de toda população selvagem da espécie. Apenas no Instagram estavam 77% dos anúncios e os outros 11% na 4sale (aplicação utilizada no Kuwait) e YouTube.

Praticamente todos os anúncios eram ilegais, considerando que o guepardo está listado no Anexo I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES), que permite o comércio do animal apenas em condições excepcionais. Além disso, muitos países proíbem o comércio de espécies integrantes desta lista.

A pesquisa também descobriu que quase todas as postagens vinham de países do Oriente Médio, sendo que 60% dos usuários que estavam comercializando guepardos eram da Arábia Saudita. Apesar dos Emirados Árabes Unidos terem promulgado uma lei em 2016 proibindo a posse de animais exóticos e perigosos, o comércio do felino ainda é forte por lá.

A organização sem fins lucrativos explicou que era possível identificar os locais pelos endereços e telefones fornecidos pelos próprios anunciantes. Apenas um vendedor árabe foi responsável por 12% de todos os anúncios analisados. Além de guepardos, ele oferecia leões, tigres, onças, lobos, gibões e chimpanzés.

Estimativas da CCF apontam que 300 guepardos são contrabandeados por ano fora da África Oriental, mas uma parcela considerável morre antes de ser enviada para o Oriente Médio.

Em 2014, o Fundo de Conservação para os Guepardos encontrou o maior número de anúncios e, em 2017, o menor. A ONG não conseguiu identificar se as transações realmente diminuíram ou se as vendas estão sendo disfarçadas em contas privadas e em outras redes.

Ameaças

O comércio ilegal representa uma grave ameaça à espécie, já fragilizada por outros fatores. Estima-se que a população de guepardos caiu de 100 mil indivíduos para cerca de 7 mil em um século. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) classifica-o como “vulnerável” de extinção.

Ainda de acordo com a IUCN, 76% dos indivíduos estão fora de áreas protegidas, o que aumenta a possibilidade de se envolverem em conflitos com agricultores e serem caçados. O habitat de zonas desprotegidas também é mais degradado, por isso os grupos acabam se dispersando em busca de recursos e perdem a conectividade.

Para Laurie Marker, fundadora e diretora executiva do Fundo de Conservação para os Guepardos, o comércio ilegal de animais vivos impacta populações menores e fragmentadas da África Oriental. Mitigar a ameaça exige um esforço conjunto dos governos para não apenas confiscar os guepardos, mas também para iniciar uma grande campanha de conscientização para reduzir a demanda de animais ameaçados como pets.

“Populações já vulneráveis, particularmente na Etiópia e Somália, estão em risco de extinção local por causa da caça furtiva para o comércio ilegal de animais de estimação”, enfatizou.

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