Camada de ozônio se recupera até 3% por década

Crédito: Nasa

Redução gradativa dos gases CFCs em todo o mundo desde 1987 freou o avanço dos danos

A camada de ozônio começa a se recuperar dos impactos causados por produtos químicos do tipo clorofluorcarbono (CFC). Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta segunda-feira (5), desde os anos 2000 a camada tem crescido de 1 a 3% por década.

O ozônio presente na atmosfera terrestre protege o planeta da radiação ultravioleta, que pode causar câncer de pele, enfraquecer o sistema imunológico humano e provocar danos às colheitas, entre outros problemas. Mas esta camada de proteção foi bastante degradada com o uso indiscriminado dos CFCs, presentes no ar condicionado, gás de geladeira, aerossóis, espumas plásticas e solventes. Em 1987, atentos a esta destruição, quase 200 países de todo o mundo assinaram o Tratado de Montreal, que previa a redução gradativa do uso de CFCs e, eventualmente, sua extinção. Desde 1999 o composto é banido no Brasil.

No final da década de 1990, cerca de 10% da parte superior da camada de ozônio estava deteriorada. Neste ano, o buraco sobre o polo sul chegou a medir 24,8 km², aproximadamente 16% menos do que o recorde de 29,6 km² registrado em 2006. O relatório da ONU estima que a parte da camada que cobre o hemisfério norte deve se regenerar completamente na década de 2030, enquanto o buraco do hemisfério sul, que cobre a Antártida, deve desaparecer por volta dos anos 2060.

Paul Newman, um dos autores do estudo e geocientista chefe no Goddard Space Flight Center, da Nasa, acredita que se o mundo não tivesse se alertado quanto ao estreitamento da camada de ozônio, ela seria destruída em dois terços até 2065. "Se as emissões de substâncias nocivas à camada de ozônio tivessem continuado a crescer, estaríamos sentindo efeitos enormes. Nós conseguimos parar isso", afirmou.

Mas o sucesso da política de redução dos CFCs ainda é relativo. O pesquisador Brian Toon, da Universidade do Colorado (EUA), acredita que estamos apenas no ponto de partida para recuperação da camada de ozônio. Para corroborar a opinião de Toon, uma nova tecnologia detectou o crescimento das emissões de um CFC banido no leste asiático, segundo o relatório da ONU.

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