Dietas à base de vegetais podem ajudar a conter aquecimento global

Cientistas recomendam maior consumo de legumes, verduras, sementes, nozes e leguminosas.

Especialistas alertam que aumento de mais de 1,5° C na temperatura da Terra aumentará a frequência de eventos climáticos extremos

 Transformações "rápidas" e "sem precedentes" no uso da terra e energia são algumas das medidas elencadas por especialistas da ONU para frear as mudanças climáticas. Em relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado este mês, cientistas destacaram as consequências do aumento de mais de 1,5° C na temperatura média global. Ondas de calor, aumento no nível dos oceanos e extinção de espécies são alguns dos efeitos previstos. Um novo estudo, publicado na revista Nature, indica que a mudança na alimentação pode ser a chave para reverter esse cenário.

Reduzir os impactos ambientais do sistema alimentar só é possível, de acordo com a pesquisa, com a reestruturação das práticas e tecnologias agrícolas; adoção de dietas a base de vegetais; e redução do desperdício de alimentos pela metade até 2050.

Apenas a limitação no desperdício poderia reduzir em 16% algumas consequências da produção de alimentos, como emissão de gases efeito estufa (GEE’s), degradação de terras e gasto de água doce. Sem essas mudanças, os impactos da agricultura sobre o ambiente poderiam aumentar de 50 a 90% até 2050, ultrapassando os limites do planeta.

Dietas flexíveis

As dietas flexíveis têm sido adotadas por pessoas de diversas partes do mundo que procuram viver de maneira mais saudável e sustentável. Conhecidas como flexitarianas, elas têm como base frutas, verduras, legumes, grãos, castanhas e quaisquer vegetais.

A carne está inclusa no cardápio, mas em pequenas quantidades. A ideia é obter proteínas de outras fontes, visto que uma redução de 73% do consumo de carne bovina e 88% de carne de porco reduziria pela metade as emissões de gases de efeito-estufa da pecuária, uma das atividades que mais sobrecarregam os recursos naturais.

Outros alimentos de origem animal, como leite e ovos, também devem ter o consumo reduzido. Açúcar, trigo, raízes, milho e azeite de oliva são outros ingredientes que a produção sobrecarrega os ecossistemas e, portanto, devem ser consumidos com moderação.

Os cientistas recomendam incluir, em todas as refeições, alimentos à base de plantas e produtos integrais. Mas para um ganho nutricional, ambiental e até econômico é necessário aumentar ou diminuir o consumo de certos alimentos:

  • Legumes e verduras: elevar em 77% a ingestão, de maneira que a quantidade ingerida diariamente salte de 229g para 405g;
  • Arroz: consumir 49% menos, mudando as porções de 126g para 64g por dia;
  • Sementes e nozes: aumentar em 282% o consumo, de modo que a quantidade diária consumida suba de 13g para 51g;
  • Leguminosas: soja, lentilhas e feijões devem ser consumidos 209% mais, convertendo as 17g diárias das porções para 52g.

Nutrição

Pensada para impedir que a Terra aqueça mais de 2°C, como prega o Acordo de Paris, a dieta flexitariana também promete benefícios nutricionais aos seus adeptos.

O estudo aconselha aumentar o consumo de lentilhas, feijões, ervilhas, nozes e sementes, por que além de causarem menos impactos ao ambiente são benéficos do ponto de vista nutricional. A fibra solúvel encontrada em feijões e lentilhas, por exemplo, ajuda no combate ao colesterol alto. Pinhões, linhaça, sementes de gergelim e girassol também atuam no colesterol, além de serem fontes ricas em ácidos graxos - as “gorduras boas”.

Dentre as carnes mais saudáveis, a pesquisa elencou o frango e o peru. Produtos processados, como bacon, salsicha, salame, presunto e patês devem ser evitados pelo alto teor de gorduras saturadas e sódio; além de forneceram baixas quantidades de vitaminas e minerais.

Para suprir a baixa ingestão de carne vermelha, a dieta aposta em alimentos ricos em ferro. Cereais enriquecidos e vegetais com coloração verde escura, como espinafre, repolho, couve e brócolis são boas pedidas.

Ingerir alimentos com alta concentração de vitamina C também é uma estratégia, visto que aumentam a absorção de ferro no organismo. Pimentões, alface, tomate e suco de frutas são exemplos de fontes ricas em vitamina C.

Confira guia de receitas sem carne para uma dieta mais sustentável. 

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