Ararinha-azul é considerada extinta na natureza em nível internacional

Ararinha-azul é considerada extinta na natureza em nível internacional / Crédito: Save Brasil

A ave e outras quatro espécies já eram consideradas extintas a nível nacional; destruição de habitats foi principal motivo

Estudo desenvolvido pela organização BirdLife International recomenda que oito espécies de aves sejam adicionadas à lista de extinções confirmadas ou presumidas. Destas, cinco são brasileiras: ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), arara-azul-pequena (Anodorhynchus glaucus), caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) e gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti). Com essas perdas, o mundo soma 187 extinções de aves confirmadas ou prováveis desde 1.500.

A BirdLife é a autoridade oficial para as aves da Lista Vermelha da IUCN, responsável por estudar todas as espécies e avaliar seu risco de extinção. A organização utilizou uma nova abordagem estatística para analisar dados sobre espécies classificadas como Criticamente Em Perigo, a mais alta categoria de ameaça antes da espécie ser considerada extinta. Este método é o primeiro a quantificar três fatores de uma única vez: a intensidade de ameaças a uma espécie; o tempo e a confiabilidade dos registros das espécies; e o tempo e qualidade dos esforços de busca. Durante oito anos, os cientistas avaliaram 61 espécies com extinções potenciais ou confirmadas.

O grupo recomendou a reclassificação de três espécies, antes consideradas Criticamente em Perigo (Possivelmente Extinta), para a categoria Extintas, que já eram assim consideradas pela Lista Vermelha Nacional do Ministério do Meio Ambiente. No caso da ararinha-azul, foi indicado que ela deve ser tratada como Extinta na Natureza, pois ainda possui uma população em cativeiro, estimada entre 60 a 80 indivíduos.

Além dessas, foi indicado que quatro espécies previamente consideradas Criticamente em Perigo devem ser movidas para a lista das Possivelmente Extintas, significando que mais pesquisas são necessárias para confirmar sua extinção.

Stuart Butchart, cientista chefe da BirdLife e principal autor do estudo, enfatiza a importância de não se declarar extinções prematuramente. "Determinar se uma espécie foi extinta é muito desafiador, já que normalmente é difícil saber se os últimos indivíduos morreram, principalmente no caso de espécies pouco conhecidas em locais remotos. Enquanto precisamos de medidas precisas de taxas de extinção, desistir prematuramente de uma espécie traz o risco de se cometer um engano conhecido como Erro de Romeu, no qual esforços de conservação são abandonados prematuramente na presunção de que uma espécie desapareceu", declarou.

Butchart ressalta uma preocupante tendência refletida nessas últimas extinções: "noventa por cento das extinções de aves nos séculos recentes ocorreram em ilhas (tipicamente devido às consequências de sobre-caça e invasão de espécies exóticas). Entretanto, nossos resultados confirmam que há uma crescente onda de extinção varrendo os continentes, ocasionada principalmente pela perda de habitat e degradação causada pela extração de madeira e agricultura insustentáveis".

Dalce Ricas, superintendente da Amda, ressalta a omissão da sociedade e do poder público na proteção dos habitats da fauna silvestre brasileira. "É uma notícia desalentadora, tanto pela perda desses animais, quanto pelo fato de que ela não interferirá em mudanças no processo de desmatamento que continua a avançar no país", disse.

 

Com informações da Save Brasil

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