Populações de botos-cor-de-rosa diminuem pela metade a cada década

Boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis) Crédito: Vera da Silva LMA/Inpa
Boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis) Crédito: Vera da Silva LMA/Inpa

Na bacia amazônica, espécie sofre com a caça e competição com a pesca

Populações de boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis) estão severamente ameaçadas na bacia do rio Amazonas, segundo estudo divulgado na revista cientifica PLOS One. A publicação apresenta resultados do monitoramento realizado entre 1994 e 2017 das espécies de água doce na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, localizada a cerca de 600 km de Manaus (AM).

O estudo, liderado pela bióloga Vera da Silva, chefe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (LMA/Inpa), mostra que as comunidades desses animais estão diminuindo drasticamente. A estimativa é que os botos-cor-de-rosa perdem metade dos espécimes a cada década e os tucuxis a cada nove anos. A pesquisadora destaca que os dados são preocupantes, já que foram obtidos em uma área de reserva, provavelmente a mais bem protegida do Amazonas.

A caça furtiva é apontada com uma das principais causas para o desaparecimento do boto-cor-de-rosa. Ele é visado por sua carne e gordura, utilizadas como isca para pesca da piracatinga, um peixe com forte demanda comercial. A recuperação das populações do cetáceo fica mais difícil devido à sua reprodução lenta. Um boto fêmea precisa de até sete anos para atingir a maturidade sexual, enquanto os machos demoram 10 anos. Além disso, o intervalo entre nascimentos gira em torno de quatro a cinco anos.

Já o tucuxi sofre com as redes de emalhe utilizadas por pescadores. As duas espécies enfrentam ainda outras ameaças, como construção de barragens de hidrelétricas, poluição dos rios, destruição de habitat, entre outras.

Apesar de altamente ameaçadas, elas não estão inclusas na lista de animais ameaçados de extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). No relatório, consta que não há dados suficientes sobre a quantidade de animais disponíveis na natureza, por isso não é possível avaliar seu grau de ameaça. Mas, para os pesquisadores, se a UICN levasse em conta as descobertas recentes, ambas as espécies seriam classificadas como criticamente em perigo de extinção.

Pesca da piracatinga

Durante o defeso, período de reprodução de algumas espécies e quando a pesca é proibida, os pescadores buscam outros animais de menor valor comercial, como a piracatinga, um bagre conhecido como urubu d'água. O nome faz referência ao hábito de se alimentar do resto de animais mortos. Para atrair o bagre, pescadores utilizam o boto-cor-de-rosa na maior parte das vezes, ou tucuxis e jacarés.

Em 2014, o Brasil decretou a moratória da piracatinga, proibindo sua pesca, comercialização e estocagem em todo território nacional por um período de cinco anos, começando em 2015.

A carne do peixe é pouco comercializada na Amazônia brasileira, mas encontra grande aceitação na Colômbia. No sudeste do Brasil, seu filé é encontrado com o nome de douradinha. Por conter altos níveis de mercúrio, a piracatinga pode ser nociva ao ser humano.

Saiba mais sobre o boto-cor-de-rosa.

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