Três primatas brasileiros estão entre os 25 mais ameaçados do mundo

Entre os bugios brasileiros, o marrom é o mais ameaçado./Crédito: Peter Schoen [CC BY-SA 2.0]

Bugio-marrom integra lista dos primatas em perigo com população de aproximadamente 50 indivíduos maduros.

Detentor da maior diversidade de primatas do planeta, o Brasil é o lar de espécies únicas e emblemáticas. Três delas – sagui-da-serra-escuro, sauim-de-coleira e bugio-marrom – correm grande perigo e podem desaparecer se nada for feito. Junto de outras 22 espécies, elas integram a lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo.

Desenvolvido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) Sociedade Internacional de Primatologia e Conservação Internacional, o levantamento “Primatas em Perigo” aponta as ameaças enfrentadas pelos macacos, orangotangos e lêmures com os níveis mais críticos de declínio populacional.

Dentre as espécies que integram a lista, há 12 africanas, sete asiáticas e seis latino-americanas, incluindo as brasileiras:

Saium-de-coleira (Saguinus bicolor)

O saium é um dos mamíferos mais ameaçados do bioma amazônico, ecossistema que abriga 70 espécies e subespécies de primatas diferentes. É endêmico do Brasil, ocorrendo no estado do Amazonas, onde é residente e nativo.

Apresenta distribuição geográfica restrita aos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, cobrindo cerca de 7.500 km². Habita florestas primárias, secundárias (capoeira), campinas e campinaranas. A espécie também pode viver em áreas antropizadas como pomares e plantações.

Estima-se uma redução de pelo menos 80% da população deste animal desde 1997, devido à perda de habitat e competição com outra espécie: o sagui-de-mãos-douradas. Outras ameaças também contribuem para a vulnerabilidade do saium, como incêndios, assentamentos rurais, predação por cães, tráfico ilegal, atropelamentos e eletrocussão na rede de energia urbana.

O nome científico bicolor refere-se às cores de sua pelagem, que são basicamente branco e marrom-alaranjado. A cabeça e a face não possuem pelos. Outra característica peculiar é que, com exceção do dedo polegar, suas unhas são como garras bem afiadas, apropriadas para escalar árvores.

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Bugio-marrom (Alouatta guariba)

Os bugios, conhecidos popularmente como guaribas, barbudos e roncadores, são primatas da família Alouatta que possuem a maior distribuição geográfica da região neotropical, ocorrendo desde o México até a Argentina. Uma característica marcante do grupo é a cor intensa da pelagem, que varia entre o marrom e o ruivo.

Esses primatas têm em comum uma série de atributos, com destaque para a cauda preênsil com palma – capaz de suportar o peso do próprio corpo – e a dentição adaptada para dietas ricas em vegetais. Comem principalmente frutos e folhas, incluindo também flores, caules, cascas e líquens em sua alimentação.

Entre os bugios brasileiros, o marrom é o mais ameaçado, devido à severa fragmentação de seu habitat. O bioma onde vive concentra cerca de 70% da população brasileira e as principais capitais do país, por isso é diretamente impactado pela urbanização e as atividades industriais.

Além disso, muitos bugios foram perseguidos, feridos e mortos durante os surtos de febre amarela, devido ao entendimento equivocado de que macacos transmitem a doença para humanos. Estima-se que a população do animal, que só ocorre na Mata Atlântica no Leste do Brasil e Nordeste da Argentina, não ultrapasse 50 indivíduos maduros.

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Sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita)

Restrito à Mata Atlântica do sudeste do Brasil, com distribuição concentrada na Serra do Mar e entorno, o sagui-da-serra-escuro enfrenta uma redução populacional de pelo menos 50% em um intervalo de 18 anos. As causas são a perda e fragmentação dos ambientes onde vive e, principalmente, a competição e hibridação com espécies invasoras.

Também sofre com outras ameaças, como expansão urbana, agropecuária, especulação imobiliária, grandes obras e empreendimentos, atropelamento e incêndios florestais. Estima-se que a população do animal não ultrapasse os mil indivíduos.

Esse sagui habita áreas com abundância de bambus, e pode ocorrer em uma ampla variação altitudinal, de 80 a 1.350 m acima do nível do mar. Forma pequenos grupos em vida livre, composto de quatro a seis indivíduos. Alimenta-se principalmente de frutos, insetos e folhas.

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