76 soluções urgentes para frear as mudanças climáticas

Enfrentar a mudança climática é uma corrida contra o tempo. Crédito: Eric Wüstenhagen [CC BY-NC-SA]

Relatório aponta ações voltadas para os setores de energia, alimentos, agricultura e uso da terra, indústria, transportes e construção civil.

As mudanças climáticas já são uma realidade no mundo. Os últimos seis anos foram os mais quentes da história, e os eventos climáticos estão cada vez mais frequentes e severos. Até locais habituados ao frio extremo, como o Ártico, estão sofrendo com o aumento da temperatura, que provocou uma das piores temporadas de incêndios florestais no ano passado.

Segundo análise da Nasa e do sistema de monitoramento Copernicus, da União Europeia, as queimadas no Pantanal brasileiro, Nova Gales do Sul (Austrália), Ártico Siberiano e na costa oeste dos Estados Unidos foram as maiores dos últimos 18 anos. Além dos incêndios, inundações e ondas de calor estão mais intensas devido ao aquecimento do planeta.

Para frear as mudanças climáticas, cientistas do projeto Drawdown elencaram 76 ações para a humanidade reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs). Se implementadas, as soluções podem gerar economia de aproximadamente US$ 144 trilhões em danos climáticos evitados e custos de saúde relacionados à poluição.

Segundo o cientista e co-autor do relatório, Jonathan Foley, considerando que todas as soluções indicadas já existem, elas poderiam ser implementadas simultaneamente. A humanidade poderia atingir o ponto de virada, em que as emissões começam a diminuir, entre 2040 e 2060, dependendo da eficiência das ações.

Setores e soluções

Os pesquisadores dividiram as soluções por setor: energia, alimentos, agricultura e uso da terra, indústria, transportes e construção civil. O relatório destaca a importância não apenas de preservar, mas de aumentar os sumidouros naturais de carbono, incluindo a proteção dos ecossistemas e a mudança das práticas agrícolas.

As prioridades para a ação climática incluem:

· Substituir a eletricidade baseada em carbono por renováveis o mais rápido possível.
· Repensar a produção e o uso excessivo de materiais emissores de GEEs, incluindo concreto, aço e refrigerantes.
· Reinventar as práticas agrícolas e o sistema de alimentos para aumentar a segurança alimentar e reduzir os índices de poluentes liberados na atmosfera.
· Restaurar ecossistemas naturais e praticar a agricultura regenerativa, proporcionando paisagens saudáveis, cursos d’ água limpos e mais habitats de vida selvagem.

Confira aqui a lista completa.

O que fazer?

Os autores do estudo indicam uma urgente mudança no setor energético, com 30% das soluções envolvendo o aumento da eficiência no uso de energia e outros 30% sobre a substituição dos combustíveis fósseis. Algumas das soluções sugeridas pelo projeto Drawdown, é mudar a iluminação para LED e energia de armazenamento de bateria, pois geram economias quase imediatas.

Os sistemas alimentares, práticas agrícolas e uso da terra também precisam ser remodelados, pois, juntos, são responsáveis por cerca de um quarto das atuais emissões de gases de efeito estufa. Hoje, 35% das terras sem gelo no mundo são usadas para plantações e pastagens (algumas estimativas são ainda maiores). A agricultura também domina o uso global de água, utilizando aproximadamente 70% da água disponível.

Para minimizar os impactos do setor alimentício, o levantamento indica a conservação de florestas tropicais, especialmente no Brasil e Indonésia, adesão de novas práticas agrícolas, incluindo novos aditivos para rações, como algas marinhas (que parecem reduzir as emissões de metano) e novas técnicas de pastejo.

 

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